Estamos nos primeiros dias de julho e muito aconteceu nos últimos meses. Meses que foram ricos em sensações, em reflexões, em momentos de inspiração e outros menos bons, mais desesperados, mais difíceis e mais tristes. Estar tanto tempo sem poder ver as pessoas que amamos, cuidando vínculos apenas através do ecrã é um exercício… um exercício difícil. As saudades apertam, as vontades, a ideia de transgredir o mundo. Porém, sinto que para mim estes meses foram muito importantes por várias razões. Razões que me levaram a pensar e a repensar os meus dias, as minhas capacidades, as minhas qualidades.

Hoje, dia 30 de Março, comemora-se o Dia Mundial da Doença Bipolar. Segundo a OMS, 45 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem desta doença. Este dia tem como objetivo combater o estigma social e sensibilizar para a doença que representa um desafio enorme para as pessoas portadoras, a sua família e comunidade.

Estou em casa. Há duas semanas que estou em casa. Sou uma pessoa privilegiada em relação ao meu trabalho, posso continuar a trabalhar normalmente, sem restrições em casa. Já podia fazer teletrabalho antes, se precisasse. A diferença é que estarei mais tempo, muito mais tempo do que num regime normal em que peço para trabalhar de casa. Porém tenho todas as comodidades que poderia ter. Trabalhar na área de engenharia de software dá-nos esta vantagem. Um privilégio. Infelizmente, não é este o caso de muitas pessoas, imensas pessoas.

Estou a caminhar, muito lentamente, mas estou a caminhar. Passos lentos para um objectivo maior, passos lentos para um caminho longo, uma estrada com bastantes curvas e cruzamentos... decisões. Sair de um período depressivo é um trabalho árduo, muito... é um percurso que tenho de fazer, agora.

Existem muitos momentos que não podemos controlar, existem muitos momentos que não podemos decidir. Existem, também, momentos em que apenas podemos gerir os danos que nos são causados directa ou indirectamente, conscientes ou inconscientes. Momentos em que precisamos de reforçar as nossas energias, o nosso bem estar e reencontrar-nos novamente num mundo que está sem luz e calor. Nesses tempos existe a noção que queremos desistir, que necessitamos parar a realidade e parar tudo o que nos rodeia. São momentos - passados - num mundo frio e escuro.