Hoje, 14 de julho, voltamos a celebrar, voltamos a celebrar a nossa existência e a nossa validade. Neste 14 de julho voltamos a reafirmar quem somos, voltamos a dar-nos voz, voltamos a dar-nos espaço. Uma voz que muitas vezes é ignorada, esquecida e abandonada. Uma voz que muitas vezes é desqualificada, é patologizada e invisibilizada. Um espaço que não nos incluí, que nos desprotege, que nos atira para a insegurança. Um espaço onde não pertencemos, onde não existimos. É com um sentimento de orgulho que nós nos afirmamos, que reclamamos a posse da nossa identidade e da nosso forma de estar no mundo, somos pessoas não binárias, com orgulho, com engajamento, com empoderamento. Somos.

Hoje, 28 de Junho, assinala-se os 51 anos dos tumultos de Stonewall e 50 anos de comemorações do Orgulho LGBTIQA+. A história é conhecida, porém é também, muitas vezes, interpretada, e desqualificada. A visibilidade consequente desse mesmo processo de afirmação continua a ter bastantes lacunas, bastantes leituras erróneas. Estamos a falar da desqualificação de pessoas trans, travestis, butch, femme, negras, migradas, trabalhadoras do sexo, precárias,... Estamos a falar de um desqualificação que até hoje não teve a devida visibilidade histórica a que tanto nos referimos. Continua a não haver representatividade para estas pessoas, estavam e continuam na margem.