Hoje, 14 de julho, voltamos a celebrar, voltamos a celebrar a nossa existência e a nossa validade. Neste 14 de julho voltamos a reafirmar quem somos, voltamos a dar-nos voz, voltamos a dar-nos espaço. Uma voz que muitas vezes é ignorada, esquecida e abandonada. Uma voz que muitas vezes é desqualificada, é patologizada e invisibilizada. Um espaço que não nos incluí, que nos desprotege, que nos atira para a insegurança. Um espaço onde não pertencemos, onde não existimos. É com um sentimento de orgulho que nós nos afirmamos, que reclamamos a posse da nossa identidade e da nosso forma de estar no mundo, somos pessoas não binárias, com orgulho, com engajamento, com empoderamento. Somos.

Estamos nos primeiros dias de julho e muito aconteceu nos últimos meses. Meses que foram ricos em sensações, em reflexões, em momentos de inspiração e outros menos bons, mais desesperados, mais difíceis e mais tristes. Estar tanto tempo sem poder ver as pessoas que amamos, cuidando vínculos apenas através do ecrã é um exercício… um exercício difícil. As saudades apertam, as vontades, a ideia de transgredir o mundo. Porém, sinto que para mim estes meses foram muito importantes por várias razões. Razões que me levaram a pensar e a repensar os meus dias, as minhas capacidades, as minhas qualidades.

Hoje, 28 de Junho, assinala-se os 51 anos dos tumultos de Stonewall e 50 anos de comemorações do Orgulho LGBTIQA+. A história é conhecida, porém é também, muitas vezes, interpretada, e desqualificada. A visibilidade consequente desse mesmo processo de afirmação continua a ter bastantes lacunas, bastantes leituras erróneas. Estamos a falar da desqualificação de pessoas trans, travestis, butch, femme, negras, migradas, trabalhadoras do sexo, precárias,... Estamos a falar de um desqualificação que até hoje não teve a devida visibilidade histórica a que tanto nos referimos. Continua a não haver representatividade para estas pessoas, estavam e continuam na margem.

Acordo, olho o relógio, são meia noite e trinta. São uma, adormeço… Acordo, olho o relógio, são duas e trinta. São três, adormeço… Acordo, olho o relógio, são quatro e trinta. São cinco, adormeço… O despertador toca, são seis e trinta… acordo, viro-me na cama, espero pelas sete, e pelas sete e trinta… levanto-me. Preparo-me para mais um dia, mais um dia longo, um longo dia.

Hoje é dia 31 de Março, Dia Internacional da Visibilidade Trans. Este dia comemora-se desde 2009 com o objetivo de celebrar positivamente todas a comunidade. Projetando, assim, a visibilidade e histórias positivas. É um dia importante para a consciência de que nós existimos, de que fazemos parte, que merecemos vidas dignas e que queremos ser livres das amarras de um sistema que nos condiciona em todas as frentes.