Hoje, dia 30 de Março, comemora-se o Dia Mundial da Doença Bipolar. Segundo a OMS, 45 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem desta doença. Este dia tem como objetivo combater o estigma social e sensibilizar para a doença que representa um desafio enorme para as pessoas portadoras, a sua família e comunidade.

Bipolar

Os períodos de mania são caracterizados por sensação extrema de bem estar, aceleração do pensamento e da fala, agitação e hiperatividade,… Por outro lado, os períodos de depressão são caracterizados por alterações no apetite, humor deprimido, fadiga, perda de energia,…

Foi neste quadro de sintomas que aprendi a reconhecer o quanto pode ser difícil viver diariamente com este problema de saúde, todos os dias são uma batalha para manter a estabilidade e a segurança pessoal. Porém, também aprendi a reconhecer que faz parte de mim e que molda, de certa forma, o meu estar. Aprender não sentir culpa por se estar doente foi um processo que me levou anos, aprender a permitir-me sentir foi um processo lento, aprender a pedir ajuda foi um processo moroso.

No entanto, há quatro anos escrevi (aqui) que este diagnóstico com o valor (relativo e subjetivo) que tem, permitiu-me conhecer as minhas dificuldades e trabalhar numa solução que me permitisse ter uma vida razoavelmente estável.

Desde esse dia muitas coisas aconteceram e muitas coisas mudaram na minha vida. Estou mais estável, mais saudável, mais organizada. As minhas crises são menores, mais rápidas e menos destrutivas. Tudo isto deveu-se a ter resiliência, ter o acompanhamento certo e ter uma rede de apoio que tem crescido de dia para dia.

Porém, em outubro de 2019, fui apanhada de surpresa por uma crise depressiva major que descrevo aqui, numa sequência de artigos sobre o que sentia.

Hoje estou bem, sinto-me estável e capaz. Escrevo este texto com uma perspetiva muito diferente daquela que tinha quando escrevi todos estes textos que publiquei durante a minha crise. Mas, hoje há outro desafio. Entramos num período de isolamento forçado, o aparecimento de uma pandemia associada ao COVID-19 traz dificuldades extra.

Neste momento aposto nas ferramentas que fui criando ao longo dos últimos anos/meses para me manter estável, organizada. Ferramentas essas que me foram extremamente úteis nos últimos meses que estive em casa devido ao meu estado de saúde. Criar lista de tarefas, premiar-me, ter períodos de reflexão, respeitar os meus espaços de descanso e trabalho, manter o contacto o mais próximo possível com a minha rede de amizades.

Acredito que nesta fase terei altos e baixos. Vivo sozinha por isso, o contacto com outras pessoas é bastante reduzido o que me coloca numa situação de grande isolamento. É importante para mim reconhecer que irei ter esses momentos, deixar-me senti-los, permitir que existam, pois ajuda a manter-me organizada e humana. Mais do que nunca, o acompanhamento psicológico deve ser mantido com regularidade. Mais do que nunca, devo procurar manter-me conectada comigo e com o mundo que me rodeia. É compreensível que o isolamento agrave determinados sintomas e que provoque o aparecimento de outros, nomeadamente associados a um estado depressivo.

Por isso deixo alguns pontos do que me têm ajudado a passar este momento:

  • Manter uma lista de tarefas diária
  • Manter o contacto com as minhas amizades
  • Manter a regularidade do sono e das refeições
  • Manter a perspetiva
  • Respeitar os meus momentos de descanso
  • Fazer exercício em casa
  • Praticar algum tipo de meditação (no meu caso, tenho tentado Mindfullness)
  • Limitar o meu acesso à informação sobre a doença
  • Escutar o meu corpo e a minha mente
  • Ser solidária
  • Procurar ajuda sempre que necessário

Não sei quanto tempo este isolamento vai durar, por isso, sinto que me é necessário apostar em medidas contínuas no tempo, em medidas sólidas e pragmáticas que me permitam lidar com as incertezas e com a falta de contacto humano. Ter, também, em atenção possíveis sintomas que possam aparecer para poder fazer uma gestão eficaz e pedir ajuda se necessário.

Haverão pessoas que, devido ao seu contexto, usam técnicas e métodos diferentes. Tudo o que pudermos fazer para manter a nossa sanidade mental é muito importante. Também haverão pessoas, que devido à mesma razão, poderão passar por dificuldades diferentes. Dificuldades essas que dependem da necessidade e dos meios de cada pessoa. Numa época como esta é importante manter a solidariedade e abertura a receber alguém, a ouvir ativamente e a entender as dificuldades de cada pessoa.

Dani

Imagem: bipolar - versionz

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