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A Discretização do Homem

Daniela Filipe Bento Daniela Filipe Bento Seguir 26 de novembro de 2014 · 2 mins read
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Analisando a História, não só apenas contextualmente, mas em todo o seu percurso, é possível encontrar várias linhas de desenvolvimento que nos permitiram chegar onde estamos hoje. Evoluímos, crescemos, aprendemos e repetimos muitos processos. Aprendemos a distribuir as tarefas e as acções de acordo com as pessoas, com as sua especialidades e capacidades.

Desde as ciências exatas às ciências humanas, procura-se compreender o mundo. Explicar o Homem no Universo, o que cada um é e a própria existência. É obrigatório referir que estas explicações vão para além do que é científico, do método e da forma. Procura-se, por muitos caminhos diferentes, respostas às mesmas questões.

É fácil verificar na literatura que, com mais fiabilidade ou não, se descreve até ao mais ínfimo detalhe o pensamento, o comportamento e a emoção. Durante muitos anos predominou um estilo de explicação com base na continuidade do pensamento e da matéria. Era uma questão essencialmente filosófica. O desenvolvimento e evolução do método científico aumentou a capacidade de organizar informação, demonstrar e caraterizar os diversos fenômenos de origem Natural. Consequentemente permitiu que fosse possível ler estes artigos, conhecer o mundo e imaginar um mundo inatingível.

Nos dias que correm, esta informação é imensa e é necessário, por isso, proceder a processos de segmentação da mesma.

Discretizando

Existem grupos de pessoas diferentes que procuram conseguir unir a nossa existência interior (emocional) e a nossa existência exterior (física), porém existem divergências constantes sobre as conclusões a que se chega. Não que sejam mais ou menos acertadas, mais ou menos concretas. Existe quem se aproxima mais de um método completamente prático e existe quem se aproxima de um método filosófico.

Penso que sempre procurou manter a continuidade entre a existência interior (emocional) e a existência exterior (material) havendo coerência entre a existência e a realidade. Por outro lado, existe uma tentação (vantajosa por um lado) em discretizar todo o nosso comportamento, seccionar, catalogar… ou como se diz “colocar em caixinhas separadas”. O método proporciona estudar este mesmo comportamento, tirar elações, desenvolver formas de melhorar comportamentos que induzem o sofrimento e permite-nos ter um conhecimento organizado de nós mesmos. Porém, nós somos humanos e, apesar de fisicamente explicáveis, temos uma componente emocional e sentimental… Por vezes, penso que nos esquecemos que somos esta continuidade entre a vida emocional e material e que estas se influenciam mutuamente. Acabamos por esquecer que somos voláteis e mutáveis no tempo e no espaço.

Discretizamos tudo, mas esquecendo que não pertencemos a categorias, mas sim, somos transversais à realidade. As categorias ajudam a aliviar o nosso eu e a entender, mas o verdadeiro conhecimento de nós próprios aparece quando percebemos que somos um pouco de tudo. Somos Homem, não apenas homem.

Dani Bento

Daniela Filipe Bento

Escrito por Daniela Filipe Bento Seguir

escreve sobre género, sexualidade, saúde mental e justiça social, activista anarco/transfeminista radical, engenheira e estudante de astrofísica