Gosto de acreditar. Mas mais do que gostar, sinto que acreditar me possibilita viver cada dia da melhor maneira que me posso permitir. Acreditar mantém a minha esperança, no mundo e em mim, viva e dá-me significado a cada acontecimento. Este acreditar a que me refiro incide sobre a minha visão do mundo, na crença - talvez ingénua - de que um dia todos nós teremos um espaço de felicidade acessível e real. Acredito, mas vejo um caminho longo... Porém, acredito nele.

"Aos olhos da opinião pública, a coerência era um valor perfeitamente dispensável. O que as pessoas querem é assistir no pequeno écran a uma luta entre intelectuais que se digladiam; quanto mais vermelho o sangue que correr diante dos seus olhos, tanto melhor. Querem lá saber se a mesma pessoa diz uma coisa na segunda-feira e o contrário dois ou três dias depois…" - em Crónica do Pássaro de Corda, por Haruki Murakami

Expressão, Identidade e Orientação (e mais alguns) são termos comumente usados dentro da temática da sexualidade. Não irei usar a sigla LGBT, pois não queria escrever sobre comunidade nenhuma em particular. Estes termos tocam a todos, não são filosofias de vida, não são ideais. São definições que se ajustam a determinadas características. Partir da premissa que se deve falar em filosofia ou ideal de vida é, na minha opinião, errado.

É verdade, 3 anos... três anos. Fez hoje 3 anos que coloquei o meu primeiro pé no edifício da PT, em Picoas, para trabalhar com a equipa do SAPO Vídeos. Fez hoje 3 anos que comecei a conhecer a enorme família que tenho hoje. É com muito orgulho que falo de toda a equipa SAPO.

Geralmente, quando se retratam assuntos LGBT, fala-se nos direitos, nas diferenças, na existência e, fundamentalmente, no papel que se tem na sociedade fora da esfera intíma. Sendo um assunto sensível, é retratado de formas muito diferentes por pessoas muito diferentes. Não é disto que venho escrever, mas sim, sobre uma coisa essencial, o direito à indiferença (um termo a usar com algum cuidado).