Hoje não foi um dia positivo. Foi um daqueles dias que somam todos os dias que passaram, todos os acontecimentos diários, as trocas, as experiências, as conquistas, as derrotas, o certo e o errado. São aqueles dias em que a vitória parece derrota, o bem parece mal, a proximidade parece distância. São aqueles dias em que nós nos extenuamos de nós próprios enquanto pessoas, nos esgotamos na nossa própria vida.

Há alguns dias comemorei os meus 29 anos. Esta comemoração é essencialmente interior. É uma data que me é importante para reflectir os objectivos alcançados, as metas conquistadas e mudanças no curso da minha vida. Por isso, para mim é a data mais importante do ano.

Construir uma identidade e coexistir com a mesma é um exercício contínuo e exigente. O auto conhecimento é uma peça fundamental para explorarmos todas as nossas potencialidades nas demais aéreas. No entanto, e de uma forma pessoal, entendo que esta evolução só se torna proeminente quando estabelecemos laços, ou não, com a sociedade que nos rodeia. A nossa identidade ganha forma quando é espelhada para o mundo, a menos que fiquemos inteiramente no nosso interior, o que é possível... mas doloroso - sejamos nós quem e de que forma formos.

No dia 20 de Junho marcou-se, pelas ruas de Lisboa, mais uma Marcha do Orgulho LGBT - a 16ª a ser realizada. Marcada pela presença do primeiro Block Trans na linha da frente.

Aprecio escrever, é um velho hábito. Uma rotina de criança. Não escrevo tanto como desejaria e às vezes escrevo num qualquer pedaço de papel que encontro por aqui e por ali. Este gesto é pessoal, muito meu. Não o faço pela qualidade, mas pelo gosto e conforto pessoal.