Os últimos dois meses têm sido emocionalmente complexos para mim. Após meses de luta permanente, a ansiedade tornou-se corrosiva e levou-me a cair num novo ciclo misto (relacionado com o meu problema de saúde) que, por sua vez me retira a capacidade de ter sonos descansados e consequentemente arrastei o meu estado de saúde e a minha sanidade mental durante algumas semanas.

No dia 30 de Março comemorou-se o Dia Mundial da Doença Bipolar (no dia de nascimento de Vicent Van Gogh). Um dia importante para o combate ao estigma de um problema real que, infelizmente, afecta muitas vidas. Um problema que passa invisível, que passa incompreendido por grande maioria das pessoas. Não queria deixar o meu percurso de fora, num momento em que cruzo dois caminhos diferentes, mas que acabam por ter repercussões claras no meu dia a dia. Lidar com um problema de doença mental e com um problema sistémico da sociedade por ser uma pessoa Trans.

"O menino era tão pálido que fazia lembrar um fantasma. Um espectro. Algo insubstancial que se desvaneceria. Era pequeno para nove anos, magro e de estrutura delicada. O seu cabelo era pálido como o luar, muito fino, muito liso. A sua pele era leitosa com um aspecto translúcido, como cera. Essa coloração significava que à distância ele parecia não ter sobrancelhas e pestanas, e isso apenas enfatizava a sua aparência efémera" - in Vozes Silenciosas, Torey Hayden