No fim de semana de 10 de Março fui ao Porto com o objectivo primário de visitar, pela segunda vez, a feira erótica - já lá tinha estado em 2017. A expectativa não era muito alta depois do que assisti o ano passado, mas dado que havia uma probabilidade do tema da feira abordar questões trans, decidi ir este ano. No entanto havia o receio da representação trans da feira fosse apenas um fetish e não mais do que isso. É sempre um desafio entender de que modo este espaço tenta ser inclusivo, ou não, e de que modo poderá ser proporcionada uma boa ou má experiência. Porém, dá-me a entender que a mecânica da feira não muda praticamente nada de ano para ano.

Oiço música, os meus dedos mexem ao seu ritmo, batem na mesa e estalam entre si. Sinto-me pensativa e contemplativa. A calma invade-me o corpo e o sorriso antecede a própria vontade de sorrir. Estou feliz, um feliz de estar, um feliz de entendimento de mim, de resolução e de permanência. Não sabia como começar este texto, mas não me pareceu importante saber começar, mas sim expressar. Porque o momento é de expressão, é de sentir, não é de exposição ou ensinamento. É um texto de mim para mim, mas sobretudo do mundo para a minha alma. Porque na escrita o mundo também comunica comigo. Permite-me.