Queria escrever, mas não sabia bem sobre o quê... tenho um bloco cheio de notas com textos e assuntos que gostava de desenvolver, porém, a minha falta de criatividade tem dificultado esta tarefa. No entanto, todos os dias acontecem-nos coisas e, muitas vezes, são essas mesmas situações que nos levam a desenvolver o nosso lado emocional e criativo. E, a propósito dos vários trajectos que tenho feito, a veracidade é um dos denominadores comuns de quase todas as partes desse percurso. A veracidade no seu sentido lato, construído e assimilado. Uma veracidade que interroga a minha própria existência no mundo, como se existir não fosse suficiente.

Sou anarquista relacional e, mais do que para as outras pessoas e para a sociedade no geral, devo reconhecê-lo para a minha própria pessoa. Sou, desde há alguns anos, assumidamente pessoa poliamorasa mas em si (tal como, há mais alguns anos, o conceito de monogamia), esta visão criou-me alguns constrangimentos na forma como lia os meus sentimentos. Não por ser incompatível comigo, mas devido à minha própria leitura do mundo e das relações que tinha e tenho, sejam elas em que dimensão e de que dimensão.

Existem muitos momentos que não podemos controlar, existem muitos momentos que não podemos decidir. Existem, também, momentos em que apenas podemos gerir os danos que nos são causados directa ou indirectamente, conscientes ou inconscientes. Momentos em que precisamos de reforçar as nossas energias, o nosso bem estar e reencontrar-nos novamente num mundo que está sem luz e calor. Nesses tempos existe a noção que queremos desistir, que necessitamos parar a realidade e parar tudo o que nos rodeia. São momentos - passados - num mundo frio e escuro.

Nos últimos anos tenho reparado que o tema das relações e do seu formato tem ganho visibilidade pública. Justifica-se pelo crescente acesso à informação e pela crescente capacidade de cada um assumir (de uma forma positiva) os seus sentimentos ao mundo que o rodeia.