Queria escrever, mas não sabia bem sobre o quê... tenho um bloco cheio de notas com textos e assuntos que gostava de desenvolver, porém, a minha falta de criatividade tem dificultado esta tarefa. No entanto, todos os dias acontecem-nos coisas e, muitas vezes, são essas mesmas situações que nos levam a desenvolver o nosso lado emocional e criativo. E, a propósito dos vários trajectos que tenho feito, a veracidade é um dos denominadores comuns de quase todas as partes desse percurso. A veracidade no seu sentido lato, construído e assimilado. Uma veracidade que interroga a minha própria existência no mundo, como se existir não fosse suficiente.

A experiência de viver em plenitude com a minha identidade é uma procura permanente de estar, de poder e conseguir. A minha leitura pessoal enquanto rapariga trans foi-se complementando com a minha própria definição de que não passa de um ponto para o outro, mas passa por uma linha constituída por muitos pontos. Num registo que ao mundo parece ambíguo, num registo que a mim me parece o mais correcto. Procurar não ser um resumo de mim é um problema complexo, mas também interessante de manipular.