Há alguns dias comemorei os meus 29 anos. Esta comemoração é essencialmente interior. É uma data que me é importante para reflectir os objectivos alcançados, as metas conquistadas e mudanças no curso da minha vida. Por isso, para mim é a data mais importante do ano.

Construir uma identidade e coexistir com a mesma é um exercício contínuo e exigente. O auto conhecimento é uma peça fundamental para explorarmos todas as nossas potencialidades nas demais aéreas. No entanto, e de uma forma pessoal, entendo que esta evolução só se torna proeminente quando estabelecemos laços, ou não, com a sociedade que nos rodeia. A nossa identidade ganha forma quando é espelhada para o mundo, a menos que fiquemos inteiramente no nosso interior, o que é possível... mas doloroso - sejamos nós quem e de que forma formos.

No dia 20 de Junho marcou-se, pelas ruas de Lisboa, mais uma Marcha do Orgulho LGBT - a 16ª a ser realizada. Marcada pela presença do primeiro Block Trans na linha da frente.

Nos últimos dias falou-se e discutiu-se o combate ao terrorismo, as medidas antiterrorismo e a limitação da liberdade. Discutiu-se todas as medidas possíveis e imaginárias que, em anos e anos, nunca se falaram (inclusive, a pena de morte?!). Tornou-se necessário. Tornou-se urgente. Tornou-se fogo de primeira linha. Foi só e, apenas, agora que o terrorismo passou a existir. Foi só e, apenas, agora que os mal feitores jihadistas vieram atrás das suas vítimas. Foi agora que o mundo acordou para o terrorismo, #jesuischarlie acordou o mundo.

A visão do género sempre fez surgir muitas questões. Em culturas diferentes atribuiem-se nomes a pessoas com uma expressão diferente da norma para aquele meio. Penso que o destaque desta questão prima pela igualdade de género, pela clarificação daquilo que é biológico e social. A existência destes tópicos é, também, um apoio claro às conquistas feitas pelos movimentos feministas nos últimos anos.