São seis e meia da manhã, o despertador toca… já há meia hora que esperava que tocasse. Saborear os lençóis e o descanso até decidir que era hora de levantar. São sete da manhã, o despertador toca… continuo deitada, sinto-me embalada a pensar em como será o novo dia. São sete e meia da manhã, o despertador toca… é hora de saltar fora dos lençóis, o novo dia está aí… perto, muito perto, à distância de um salto, à distância de um piscar de olhos. São oito menos vinte, estou completamente desperta. Quando digo completamente é com a energia de quem está em plena maratona… fazendo um sprint deixando tudo para trás. Deixando as árvores, as estradas, as rochas, os penhascos, a praia e o mar… tudo fica longe rapidamente.

Hoje acordei de manhã com vontade de escrever, não aqui, mas nos meus cadernos. Uma vontade súbita de transcrever uma série de sentimentos que me atingiam a alma. Perguntas, respostas, incertezas, certezas e sentires. Tudo cabe nestas linhas, neste papel, nestas letras. Durante aqueles minutos, a caneta era a minha melhor companhia, não questionava, não dava a sua opinião, apenas deixa-se ouvir e transcrever o meu pensamento em linhas umas vezes tortas, outras vezes direitas, palavras que no futuro vou entender e algumas que no futuro, certamente, não vou conseguir decifrar. Na incerteza, escrevo na mesma.

São quase oito da noite, já jantei e já fiz quase todas as tarefas que me tinha comprometido a fazer hoje. No que resta do dia ainda acabo o que falta fazer. Não são muitas, mas as suficientes para me manter ocupada até começar a preparar o sono. O sono esse, finalmente, parece estar a ficar regulado, há uma semana que durmo relativamente bem. Foi um processo difícil de acertar com as medidas certas para me proporcionar um descanso mais efectivo. Dormi bem, hoje acabei por ter um dia relativamente tranquilo e calmo. Sem pesares ou tristezas.

É sexta feira, estou-me a sentir mal. Tenho dificuldades em estar no trabalho, arrasto-me para as aulas ao fim do dia. Começo a sentir-me desligar. Chego a casa, deito-me, fico. No fim de semana que se segue, deito-me, fico. Apática, sem vontade de qualquer acção arrasto-me em pequenas actividades para procurar estar melhor. Falo pouco, a vontade é pouca. Procuro o isolamento. Uma quebra que deveria estar a germinar há algum tempo, mas aconteceu. Nos dias seguintes acontece tudo muito rápido, começo a ter ataques de ansiedade, a viajar no tempo, a deslocar-me da realidade. Perco a capacidade de executar quaisquer das minhas tarefa. Estou a cair. Foi assim que aconteceu há pouco mais de um mês.

As noites. As noites, as manhãs e as tardes. Mas as noites, o entardecer, o anoitecer. Tudo parece um pouco mais lento. Tudo parece se estar a preparar para uma noite de descanso. Excepto eu. Olho para a janela, olho as estrelas numa noite cheia de nuvens, olho para a Lua quando ela se esconde por entre as árvores. A minha mente salta entre as estrelas e a Lua. Salta entre a escuridão e a pequena luz que ilumina a minha sala. Salta entre a terra e o céu. A minha mente salta. Por entre as folhas das árvores, os meus pensamentos fogem e entorpecem a minha capacidade de estar consciente. A minha mente continua a saltar.