December 12, 2010

Nos dias que correm, ir ao museu, ao teatro, ao cinema, aos concertos, a exposições é algo, mais ou menos, comum. Existem muitos locais acessíveis e, felizmente, também locais muito ricos culturalmente.

A História ensina-nos muito, ajuda-nos a entender factos e a realidade anterior a nós. Existe um estudo bastante profundo, e detalhado, de muitas correntes culturais ao longo do tempo, em vários locais do mundo. Existem,também, análises detalhadas e descrições enraizadas sobre as demais.

Ainda assim, na minha opinião, também existe uma tentativa cega de encontrar um sentido, uma lógica profunda para qualquer peça de arte. Quando alguém está numa exposição de pintura, por exemplo, é frequente ouvir-se uma voz explicativa. Uma voz que define, detalhadamente, cada linha e cada traço de uma tela. Este conhecimento artístico é algo fenomenal, a capacidade de encaixar uma obra no tempo, na cultura e na personalidade de um artista é uma tarefa árdua e bastante complicada. Porém, admito que, a meu ver, o conhecimento artístico é apenas isso, conhecimento artístico, ou seja, é informação cultural.

De facto, acho impressionante a cultura artística de muitas pessoas, a capacidade de ligar obras a um nome, a uma pessoa. Acho notório, uma pessoa conhecer pintores, músicos, actores, escritores e ao mesmo tempo conhecer as suas obras, os seus feitos. Este sentido cultural é algo importante, até porque, permite longas conversas, permite a troca de ideias e permite debater diversos assuntos.

Num sentido mais purista do significado de Arte, na minha opinião, a cultura artística, apesar do seu valor, acaba no mundo racional da apreciação, acaba confinada a uma realidade lógica e dedutível culturalmente. Neste mesmo sentido, como defino eu a Arte? A Arte, por definição, é algo simples, é expressão, é sentir. Colocar mais cláusulas na definição de arte, era limitar a sua própria natureza. Em consequência disto, de um modo geral, penso que, a verdadeira arte começa quando o nosso lado racional está no seu mínimo. Ao contrário de outras capacidades, como por exemplo, a aptidão para os números ou a aptidão para o argumento, penso que, a capacidade artística existe em qualquer individuo e, acredito que, esta demonstra-se naturalmente.

Ora, com esta definição, talvez alguém se interrogue sobre o facto de que só poucas pessoas são consideradas artistas. Porém, nós, facilmente, verificamos que não é a definição que faz o artista, mas o enquadramento que faz a definição. Deste modo, é válido dizer que, a expressão aliada a uma determinada técnica caracteriza estes enquadramentos. Nós, por natureza, necessitamos de categorizar tudo, ajuda-nos a manter a organização da informação e, em consequência, acabamos a construir definições até para o que por si só, não tem uma definição consistente. Até por observação histórica, é possível constatar que as obras que são conhecidas de um autor são aquelas que marcam o seu enquadramento. Aos olhos de um conhecedor, as outras obras não assumem relevo histórico, mas para o autor, certamente não foram menos importantes.

Sem dúvida, este tema dá diversas interpretações, dá lenha para uma grande fogueira, o sentimento é uma propriedade intrínseca ao ser e, como tal, subjectiva e passível de interpretações, mal ou bem formadas. Até porque, por si só… o sentimento não implica, necessariamente, uma lógica e/ou sentido.

Como gosto de dizer, a arte não cabe àquele que interpreta a obra, mas sim, àquele que a sente.

Abraço, Daniel Bento

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