O Natal já passou e o Ano Novo está a chegar. Festiva, mas também uma época de reflexão, de olhar sobre o ano e de perspectiva sobre o ano seguinte. E, não sendo excepção, acabo também a reflectir um pouco nos tempos que têm passado, nas ideias e naquilo que vejo para o futuro.

Dando continuidade a muitos dos artigos que tenho escrito neste blogue, uma das perguntas que tenho levantado nestes dias é se, de facto, passar por determinados processos (como aquele que estou a passar agora), tornou-se mais fácil (ou simples) por ser mais “tolerado/compreendido” ou, se simplesmente, a sociedade actual é, também, mais indiferente a uma série de questões (é preciso ter em conta que não pretendo aqui fazer uma generalização, mas sim apenas uma observação da minha experiência pessoal).

Como já referi em alguns textos anteriores, penso que a facilidade de comunicação à distância tem aumentado a distância afectiva das pessoas. O acesso à informação é generalizado na maioria dos países desenvolvidos e, com isso, muitas questões que anteriormente pareciam complicadas tornam-se hoje bastante mais claras e mais simples de entender. Há, também, maior facilidade em encontrar “o semelhante” o que, em muitas situações torna-se benéfico - a sensação de não ser único na vivência, a empatia.

Por outro lado, se antigamente muitas questões eram mal aceites socialmente, vistas como doença ou problema do indivíduo, hoje numa escala diferente existe um preconceito mais violento e agressivo. Não que tenha sido alguma vez mal tratada, mas é um reparo que faço quando converso com pessoas em faixas etárias muito diferentes.

Uso a expressão “tolerar” por uma simples razão. Distância. Até que ponto, “a tolerância” é positiva? Explicando o que quero dizer. Quando se refere causas, o direito à igualdade de género, à igualdade na orientação sexual, ao direito social, o direito à reinserção na sociedade… qualquer questão que implique nível de aceitação social, estamos a referir-nos a situações que envolvem uma luta interior primária muito grande. Quando se fala na tolerância, ou se usa a expressão “as pessoas hoje aceitam bem”, “hoje é mais fácil”, não nos acabamos por esquecer que apesar do mundo exterior, a luta interior é sempre complicada e é nessa luta que a dificuldade maior reside? Não será que, inconscientemente, acabamos a minimizar uma coragem primária mais forte do que qualquer presença social? É a versão contra-posta da expressão “não ligues ao que as pessoas dizem”… é verdade, porque muitas vezes o suporte necessário não é para o que a sociedade vê, mas para o modo como nos aceitamos.

Penso, a tolerância aumentou, mas simultaneamente sinto que a indiferença não ficou atrás.

“Ser ou não ser é uma questão tua, ninguém tem nada a ver com isso”, quem não ouviu já este conselho? E quantos de vós não pensou “mas é com a minha questão de ser que me refiro…” e, simplesmente, achou que não valeria a pena adiantar mais o assunto.

Sinto que, após escrever estas linhas, não fui clara o suficiente, talvez pelo estado de espiríto natalício. Porém, fica a dica.

Dani Bento

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