"Aos olhos da opinião pública, a coerência era um valor perfeitamente dispensável. O que as pessoas querem é assistir no pequeno écran a uma luta entre intelectuais que se digladiam; quanto mais vermelho o sangue que correr diante dos seus olhos, tanto melhor. Querem lá saber se a mesma pessoa diz uma coisa na segunda-feira e o contrário dois ou três dias depois…" - em Crónica do Pássaro de Corda, por Haruki Murakami

Quando comecei a escrever este texto tinha uma linha condutora sobre o que iria expor. Escrevi e reescrevi os parágrafos seguintes, queria conseguir sentido a cada palavra. Tornou-se um texto incerto pela própria consciência e vivência do meu mundo e do que me rodeia. No entanto gostava de partilhar.

Há alguns dias comemorei os meus 29 anos. Esta comemoração é essencialmente interior. É uma data que me é importante para reflectir os objectivos alcançados, as metas conquistadas e mudanças no curso da minha vida. Por isso, para mim é a data mais importante do ano.

Construir uma identidade e coexistir com a mesma é um exercício contínuo e exigente. O auto conhecimento é uma peça fundamental para explorarmos todas as nossas potencialidades nas demais aéreas. No entanto, e de uma forma pessoal, entendo que esta evolução só se torna proeminente quando estabelecemos laços, ou não, com a sociedade que nos rodeia. A nossa identidade ganha forma quando é espelhada para o mundo, a menos que fiquemos inteiramente no nosso interior, o que é possível... mas doloroso - sejamos nós quem e de que forma formos.

No dia 20 de Junho marcou-se, pelas ruas de Lisboa, mais uma Marcha do Orgulho LGBT - a 16ª a ser realizada. Marcada pela presença do primeiro Block Trans na linha da frente.