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    <title type="text">Dani Bento</title>
    <subtitle type="text">Blog de Dani Bento</subtitle>
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    <updated>2019-04-16T21:54:31+01:00</updated>
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        <name>Dani Bento</name>
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        <title type="html"><![CDATA[Uma tela branca]]></title>
        <published>2019-04-16T23:00:00+01:00</published>
        
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            <name>Dani Bento</name>
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        <content type="html">&lt;p&gt;Acompanha o meu caminho uma tela branca. Uma tela quadrada, simples, de moldura feita de madeira de pinho. O tecido é novo e o seu peso é acessível. Facilmente transportável. Facilmente se coloca no bolso e facilmente se esconde na carteira. Também a tela consegue cobrir uma parede por inteiro, ou até mesmo o chão de um armazém. É apenas uma tela insignificante, mas que acompanha-me por onde vou. Porém, esta tela nunca deixou de ser branca. Depois de milhares de milhões de quadros pintados, coloridos, rasgados, esfaqueados, queimados, destroçados… a tela continua a ser branca.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;É apenas uma tela quadrada, simples, de moldura feita de madeira de pinho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje de manhã acordei com esta mesma tela a meu lado, ali estava ela, pequena… debaixo da almofada, com a ponta de fora. Quase não se via, surpreendentemente, eu quase não a via, mas estava lá… a tela… pequena… debaixo da almofada, com a ponta de fora. Decido ignorá-la, tantas vezes a contemplo que, por vezes, desejo esquecê-la. Mas esta não se deixa ignorar, não se deixa esquecer. Depressa a minha porta era a tela e a tela era a minha porta. Não tinha por onde escapar, a não ser deixar-me ficar debaixo dos lençóis. Levanto-me e com dois gestos de loucura, atiro-me contra a porta… não iria ficar ali. Pego nas canetas e volto a pintar, risco, risco, risco… nesta manhã é o que sei fazer… riscar, riscar, riscar. Continuo a riscar até não haver mais branco. Até não haver mais margem, até não se ver a madeira de pinho. Risco, risco, risco… o que começou com um pincelar suave, acaba numa luta desesperada de apagar o quadro da minha frente. E como se já mais nada pudesse acontecer, sou enviada para o lado de lá da porta… caída no chão, sinto um barulho, sinto o chão tremer… e procuro olhar-me novamente. Zangada, furiosa, procuro levantar-me, levanto-me, caminho, tranco a porta atrás de mim, não quero voltar a estar naquele quarto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por momentos sou absorvida por uma dor que me chega. Não sei de onde vem, para onde vai. Não sei que parte do meu corpo dói, apenas sei que a dor navega por cada gota de sangue que é bombeada pelo meu coração. É nesse instante, que inocentemente sou absorvida pela ideia de que nunca mais a tela me vai acompanhar, que ficou fechada naquele quarto, a fingir de porta. Riscada para todo o sempre, transformada num monte de tinta. Corro desalmadamente para fora de casa, felicitando o meu progresso. Não sou pintora, nem nunca almejei ser… mas ser acompanhada por esta tela que nunca deixou de ser branca torna-se a cada dia mais difícil, mais pesado, mais impossível.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sorrio, fecho os olhos por uns segundos e respiro o ar da natureza, do jardim que circunda a minha casa. Vêm-me os cheiros das árvores molhadas, da terra molhada, os barulhos dos pássaros que saiem dos ninhos e dos bichos que se esfregam pela erva acabada de sentir chuva. Deixo-me ficar, deixo-me ficar de olhos fechados. Não sei quanto tempo passou, mas aos poucos, o cheiro das árvores e da terra desaparece e o barulho dos pássaros e dos bichos silência-se. A dor volta-me a atacar, o sangue das minhas veias aquece e circula a um ritmo que me faz latejar em todas as partes do meu corpo. Como se o corpo se estivesse a desintegrar, mas mantendo a sua forma original. Como se cada átomo soube-se precisamente onde deve e quando deve estar. Os meus olhos ardem e sou forçada a abri-los.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Onde estou? Pergunto-me. Tudo está deslocado, tudo está no limite da minha visão, nada está perto. Tento mover-me, mas preciso de um Universo de energia para o fazer. Sinto um peso que vem da cabeça para os pés… Deixei de ser eu e a tela, eu sou a tela e a tela sou eu. Engolida pelo meu próprio sentir, caí no infinito das projecções. Caí no infinito das cores. Caí no infinito do absurdo. Caí. O meu coração bate rápido, tão rápido que acredito que se vai desfazer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;É neste momento que percebo onde estou. É neste momento que percebo onde me sinto. É neste momento que me encontro a caminhar. Eu e a tela, a tela e eu. Uma tela quadrada, simples, de moldura feita de madeira de pinho. Insignificante. Porém uma tela que nunca deixou de ser branca.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/uma-tela-branca/&quot;&gt;Uma tela branca&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a April 16, 2019.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Ano 2019, em revisão...]]></title>
        <published>2018-12-31T12:00:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
            <uri>http://www.overdestiny.com/</uri>
        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;Com o fim do ano vêm &lt;strong&gt;momentos de reflexão e balanço&lt;/strong&gt; do que foi o ano que passou. Escrevia o ano passado, no primeiro dia de janeiro:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Um novo ciclo que urge e que promete bastantes mudanças.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Se por um lado, o ano 2017 e o início do ano 2018 atingia-me com enormes dúvidas de quem eu era&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Talvez o meu maior problema: reconhecer-me, saber quem sou e que vida é a minha. Preciso entender-me enquanto pessoa e enquanto alguém que também tem dificuldades e necessidades. “&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;O ano 2018 veio carregado de novas descobertas sobre mim mesma. Um passo importante que teria de dar&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Será um caminho duro de percorrer, mas preciso de o atravessar. Manter-me saudável depende disso.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Ainda que tenha sentido algumas oscilações de estado mais complexas este ano, o balanço é, desta vez, &lt;em&gt;muito positivo&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Aprendi bastante sobre mim, melhorei a minha capacidade de traçar limites sobre o que quero e não quero, aprendi a proporcionar-me espaço para o auto-cuidado.&lt;/strong&gt; Melhorei a minha interacção social, &lt;em&gt;afastei-me de toxicidade que me prejudicava&lt;/em&gt;. Voltei a ter vontade de viver em pleno e em todas as camadas da minha vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ao mesmo tempo foi, também, um ano cheio de actividades. Não finalizei o curso como pretendia, mas por outro lado percorri o país a realizar diversas acções de sensibilização para a causa LGBT. &lt;strong&gt;Comentei filmes, participei em festivais, dei workshops e trabalhei junto de entidades legisladoras para culminar numa nova lei de identidade de género.&lt;/strong&gt; A minha agenda 2018 está cheia de apontamentos sobre estes caminhos que percorri. Vale sempre a pena guardar, é uma forma organizada de diário, para mais tarde recordar como foram estes meses.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Foi um ano também rico em interações pessoais, conheci imensa gente. &lt;strong&gt;Desenvolvi as minhas competências sociais e levei-as a outros níveis.&lt;/strong&gt; Sinto as minhas várias relações nas suas várias estruturas e particularidades mais fortes e saudáveis. &lt;em&gt;Sei que ainda tenho muito para aprender, vícios que tenho de vencer, mas sinto-me num bom caminho.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O ano 2019 vem com novas resoluções e outras melhorias ao que já tenho estado a fazer em 2018.
&lt;strong&gt;Pela primeira vez&lt;/strong&gt;, também comecei a planear objectivos a cumprir, seja do ponto de vista de introspecção ou do ponto de vista mais prático da acção.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Deixo uma lista do que escrevi neste blogue no ano 2018, com a promessa de 2019 ser diferente no modo como organizo os meus projetos online.&lt;/p&gt;

&lt;h3 id=&quot;artigos-de-2018&quot;&gt;Artigos de 2018:&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/e-assim-comecou-um-novo-ano-2018/&quot;&gt;E assim começou um novo ano, 2018&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/ha-uns-anos-atras/&quot;&gt;Há uns anos atrás…&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/a-musica-do-meu-corpo/&quot;&gt;A música do meu corpo&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/erosporto2018-uma-perspectiva-pessoal/&quot;&gt;ErosPorto2018, uma perspectiva pessoal&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/desabafos-de-um-dia-para-tempos-melhores/&quot;&gt;Desabafos de um dia, para tempos melhores&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/morri-mas-sobrevivi/&quot;&gt;Morri, mas sobrevivi&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/os-lugares-onde-pertenco/&quot;&gt;Os lugares onde pertenço&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/eram-uns-dias-de-sol/&quot;&gt;Eram uns dias de sol…&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/a-luz/&quot;&gt;A Luz&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Feliz Ano 2019 e continuação de boas leituras,&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/ano-2019-em-revisao/&quot;&gt;Ano 2019, em revisão...&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a December 31, 2018.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[A luz]]></title>
        <published>2018-12-17T20:00:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
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        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;A fonte da batalha jorra em rios de cores de cheiros vários que escorrem montanha acima. Até ao seu cume. Até ao seu cume, estes rios debitam energia como se nada mais valesse a pena. O mundo para de rodar, o sol deixa de nascer e a lua também. Ambos parados, estáticos, no céu, esperando o momento de voltar a andar, de voltar a caminhar pelos seus próprios trilhos. No cume os rios continuam a chegar, ditos, brilhantes, conhecedores. Os rios chegam, como informação que trilha por toda a espacialidade e temporalidade do infinito que se confina num espaço bastante pequeno.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20181217-cristal.jpg&quot; alt=&quot;Cristal&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A vida é como um jacto de energia cintilante que se intersecta com toda a maré criada para instrumentalizar. Uma instrumentalização que segue todas as instâncias de existência. Uma maré sem vista para o passado e sem vista para o futuro, mas com consciência do presente, aqui e agora, sempre. A instrumentalização do tempo que nos glorifica o espaço em que lutamos. A instrumentalização do espaço que nos glorifica o eterno tempo em que coexistimos. A premissa de estar em luta, em resistência e em significado. A premissa de estar. Como espaço que encontra o tempo e de mãos dadas colaboram na produção do presente, na construção do futuro e no resignificar o passado. Como tempo que encontra o espaço e de corpo dado colaboram na idealização do futuro, na leitura do passado e na escrita do presente. Como espaço e tempo que se intersectam em tempo e espaço. Como rios que sobem e mares que recolhem para o interior da terra. Como árvores que têm raízes no céu e pedras que chovem no infinito. A criação do mundo está e existe, a criação do mundo pertence e é contínua. A criação do mundo é… é a nossa vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Acordo um dia, como se a ordem terminasse. Acordo um dia, como se a ordem mensurasse. Acordo um dia, como se de cristal o mundo fosse feito. Um cristal no qual eu consigo coexistir. Um cristal que roda o tempo e estende o espaço. Um cristal onde o mundo é como eu o construí. Um cristal de brilhos enfaixados no meu olhar. Um cristal de passagens suaves e luminosas. Um cristal que intersecta jactos de energia cintilante, que permite o mar recolher e os rios subir. Um cristal onde o mundo é como eu o quero, como eu o sonho, como eu o permiti.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porque na superfície, eu luto e resisto, porque no fundo, eu luto e resisto. Porque a luz é a minha forma de mudança do mundo. Porque a luz é a fonte que me acompanha aqui e sempre. Porque a luz é o meu caminho… do sonho à realidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Photo: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/70626035@N00/6830163861&quot;&gt;jacinta lluch valero&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/a-luz/&quot;&gt;A luz&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a December 17, 2018.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <id>http://www.overdestiny.com/eram-uns-dias-de-sol</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Eram uns dias de sol...]]></title>
        <published>2018-11-16T21:00:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
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        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;Eram uns dias de sol, um sol branco, forte. Eram uns dias de céu azul, um azul suave, limpo. Eram uns dias em que as árvores pararam em escuta do mar. Uns dias em que mais tempo e menos tempo não interessava, apenas o sabor do ar que ventilava pelos caminhos terrenos. Aprender a saborear cada minuto e cada passagem, cada estado. Aprender a estar num dado ponto. Um ponto que não se reconhece no espacialmente e temporalmente, é só um ponto. Estar, por apenas estar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20181116-sun.jpg&quot; alt=&quot;Sun&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dias que se transformam em horas e rapidamente em minutos. Dias que que desaparecem no eco dos gritos da manhã. Um grito da madrugada que engole o sabor e que mastiga a possibilidade. Um grito da madrugada que desaprende o estar e compreende o momento, o espaço e o tempo. Um grito que inspira toda a energia debitada no encontro com o bem estar. Um grito que suprime todas as possibilidades de viver em na paz do sentir. É desta forma, um grito para não se ouvir, um grito com todo o ar inspirado possível, um grito do fundo do coração. Um grito de quem quer dizer basta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje acordei com este grito silencioso, amanhã vou acordar com um grito audível. Um grito de quem não quer mais. Um grito sem desespero, mas um grito de guerra declarada. Um grito vocal e energético.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Amanhã será outro dia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Amanhã será o dia. Amanhã será o dia em que o sol voltará a brilhar,que o céu voltará a ser azul. Amanhã será o dia em que as árvores voltarão a parar para escutar o mar. Amanhã será o dia em que mais tempo e menos tempo não interessa, apenas o sabor do ar que ventilará pelos caminhos terrenos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estes dias comprometem-se a viver e a sentir. Estes dias comprometem-se a voltar fazer-me sentir e viver. Estes dias comprometem-se a fazer de mim quem sou e não o que não sou. Estes dias comprometem-se a percorrer caminho e não a trilhar por atalhos. Estes dias comprometem-se. Eu comprometo-me com esses dias. Eu comprometo-me com o caminho, comprometo-me com a ligação e comprometo-me com o destino.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Comprometo-me.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Photo: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/jonolave/3729507611&quot;&gt;Jon Olav Eikenes&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/eram-uns-dias-de-sol/&quot;&gt;Eram uns dias de sol...&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a November 16, 2018.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <title type="html"><![CDATA[Os lugares onde pertenço]]></title>
        <published>2018-10-03T21:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
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        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;Às vezes sinto tristeza, uma tristeza muda e surda. Uma tristeza calada, uma tristeza sem voz nem coro. Uma tristeza. Sinto porque não posso, nem sempre posso e porque muitas vezes não posso. Quero estar e não consigo. Mas a cada momento, uma tristeza mais. Mais uma pessoa, mais um desrespeito, mais uma morte. Sinto-o presente, como meu e teu, mas simultaneamente nosso. Porém, sinto que não consigo lá estar, não chego a tempo… não fui capaz… perdi mais uma vez.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20181003-sad.jpg&quot; alt=&quot;Sad&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na tristeza vem a angústia, o mal estar, a dúvida e a incerteza, na tristeza também vem a morte… uma morte de quem vive para quem existe. Uma morte crua,  pura. No entanto, amor também é isso. É morrer, deixar-se morrer. É morrer para renascer, é morrer para acordar, é morrer para ser uma fénix. O amor também é isso. Ser uma fénix. A morte é apenas uma interpretação da vida, a morte é apenas uma metáfora para a existência, a morte é apenas uma forma de falar do mundo que conhecemos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porém… esta morte é metafórica. Há a morte do físico. A morte que nos leva e não nos deixa ficar. Aquela morte que nos desconecta das nossas emoções, sentimentos, pensamentos, questionamentos… é uma morte que nos leva de vez… para não voltar mais. Essa é uma outra morte. Uma morte que acompanha a história, os tempos e os espaços… uma morte que acompanha sempre a realidade. A nossa realidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Viver fora das normatividades sociais é, muitas vezes, viver em várias mortes. A morte metafórica, a morte emocional, a morte física. É viver para a morte sem consequência na vida. É um estar que não se recupera, danifica para sempre. É um estar que absorve tudo, a energia, a capacidade, o sentir. Simplesmente absorve. É uma morte para o mundo, para si. É uma morte que simboliza violência, uma violência que está cá sempre para ficar. Sempre para nos perseguir. É uma morte possuidora de todas as armas e formas de luta. É uma morte que nos chega através do olhar, das palavras, da escrita, do estar, do actuar, do viver. É uma morte que nos chega por tudo o que nós temos e queremos ter, por tudo o que não temos e não queremos ter… por tudo o que desejamos: amor.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dizem-me que não é sobre mim, dizem-me que não é sobre mim em especial ou dizem-me que talvez não seja sobre mim. Porém é sempre um bocadinho sobre nós, é sempre um bocadinho sobre nós em especial, ou certamente será sobre nós. No entanto veicula-se, veicula-se o discurso, o ódio, o desrespeito, o despejo emocional, a redução do ser. Nunca é nada sobre nós até ser tudo sobre nós. Quando não nos respeitam, em vida ou na morte, quando não nos humanizam, quando nos invadem em continuidade com o poder que querem exercer, quando nos provocam, quando roubam o ar que respiramos… é sobre nós. É tudo sobre nós. Tudo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A dor não se transmite, mas pode-se compreender. Hoje e como em outros dias já estive, a tristeza pesa-me. Porque não pude estar lá, não posso estar lá, não poderei estar lá sempre. Hoje, nas mensagens, nas palavras, nas reacções, nas leituras e escritas… hoje a tristeza invade. A tristeza encerra todas as histórias que sinto e volto a sentir todos os dias. Hoje a tristeza invade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porque gostava de não ler mais uma frase de ódio, porque gostava de não ouvir mais uma palavra de ódio, porque gostava de não ter mais ninguém a morrer, porque gostava que a morte fosse respeitada, humanizada, sentida. Porque gostava que o mundo fizesse uma pausa para pensar nos seus actos, nos seus dizeres. Porque gostava que o mundo conseguisse partilhar a dor de quando mata. A dor de quando invalidada, a dor de quando faz desaparecer nas suas próprias acções de poder.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por favor, não nos matem a cada instante.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Photo: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/lukedetwiler/15478583718&quot;&gt;Luke Detwiler&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/os-lugares-onde-pertenco/&quot;&gt;Os lugares onde pertenço&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a October 03, 2018.&lt;/p&gt;
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        <id>http://www.overdestiny.com/morri-mas-sobrevivi</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Morri, mas sobrevivi]]></title>
        <published>2018-08-28T23:30:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
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        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;Acordo. As folhas dançam como entes cheios de vida e animação depois de uma longa festa entre frutas e flores. Acordo. É noite ainda, o sol não brilha e a lua está escondida, os animais procuram um lugar para estar, para ficar, para acarinhar! Acordo, ainda não é dia, mas a noite não vai terminar. Fecho os olhos, tento-me recordar de como é estar banhada pelos raios luminosos e brilhantes da nossa estrela mãe. As memórias perdem-se com os barulhos e com a sonoridade da noite… serena, calma, profunda. As memórias estão ali e não querem estar ao mesmo tempo, querem ser vida. Vida essa que se prolongou por anos, séculos, milénios. Vida essa que existe só pelo facto de ser lembrada. Uma memória que cria vida, uma vida que encerra memória. Volto a abrir os olhos e continuo a ver o escuro da noite. A noite permanece.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20180828-sunrise.jpg&quot; alt=&quot;Sunrise&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Passam anos. Adormeço.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sonho que não há dia, apenas noite. Sonho que não há caminho, apenas um beco sem saída. Sonho que não há água, só a secura da sede. Sonho que nada há, apenas eu. Apenas eu e o meu reflexo deformado, simples, medroso.&lt;br /&gt;
Sonho que nada há,&lt;br /&gt;
Sonho que nada há.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Atingida. O sangue percorre o meu pescoço. O sangue escorre pelos braços e chega ao chão. Pingo por pingo. Um rio corre como se de oceanos vermelhos o mundo fosse formado. Um rio que atropela vivências, existências, estados. Um rio que desce do meu corpo para outrem chegar a lado algum, consumindo dor e manipulando todas as células que me compoêem. Atingida, a dor espalha-se pelas rochas e rochedos, destacando-se em areias movediças.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um punhado de areia, um punhado de sentimentos. As minhas mãos tocam a praia, mas os pés tocam a floresta. Dividida, esticada, torcida, estou aqui e ali, nos dois e em nenhum. De quando a quando a floresta reserva-se, de quando a quando, a praia encolhe… de quando a quando, as árvores crescem na areia e o oceano substitui a clareira. Um punhado de areia, um punhado de sentimentos, um ínfimo sentir, um supremo reviver.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Provocada. O meu corpo gélido derrete sob as ondas da indagação, sob o movimento da confusão, sob a premissa da solidão. O meu corpo gélido derrete e o meu coração para. Morto. Morto o meu coração para e o meu corpo gélido derrete. Morto na provocação. Sentada, apática, sem forma, o que sobra dele ali fica. Sem destino, sem remédio, sem memória ou vida. Provocada, Morto, Ali fica, jazida… no fim do mundo e no princípio do céu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Procurada e encontrada. Os animais voltam, as árvores renascem, o mar ecoa na sua distensão. Jazida, ela, a vivência, a pequena mostra de ser, está. Os animais confinam o seu espaço, aquecem, pernoitam. Os animais assim estão. Chorosos. Os animais assim estão. Meigos. A sua pele lembra estar, a sua pele lembra permanecer, a sua pele lembra existir. Os animais assim continuam, os animais assim dão vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Morri, mas sobrevivi. Enterrei-me, mas saí do outro lado do mundo. Caí, mas cheguei ao céu. Voltei. Acordei. Abri os olhos. Mas o mundo é outro, é dia, o sol nasceu. O calor atinge os meu braços. Não sei quanto tempo dormi. Mas dormi. Vivi na morte, uma morte experienciada. O sangue parou de correr, agora apenas o suor quente de verão. Sinto o calor suster-se na minha pele. Os animais dançam e as folhas rodopiam entre flores e frutos. Acordei na enseada, acordei rica, acordei de sorriso. Deixo cada raio de luz chegar-me e alimentar o meu corpo. Deixo o mar levar a areia suja e que traga limpa. Deixo que os sonhos sejam isso apenas: sonhos.&lt;br /&gt;
Morri, mas sobrevivi,&lt;br /&gt;
Morri, mas sobrevivi,&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Aqui e sempre, de amor para amor, de amar para amar.
Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Photo: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/forthebirds/4277776762&quot;&gt;Jen Scheer&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/morri-mas-sobrevivi/&quot;&gt;Morri, mas sobrevivi&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a August 28, 2018.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <title type="html"><![CDATA[Desabafos de um dia, para tempos melhores]]></title>
        <published>2018-04-02T21:30:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
            <uri>http://www.overdestiny.com/</uri>
        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Estas últimas semanas têm sido emocionalmente poderosas.&lt;/strong&gt; Durante a última semana estive num training em Itália, no meio da floresta, longe da comunicação diária a que estou sujeita. Apenas, e só, com todos os elementos do grupo que estavam presentes. Pessoas de várias nacionalidades. &lt;em&gt;Tocou-me a facilidade de troca de experiências que aconteceu, tocou-me poder falar de mim sem receios, tocou-me poder expressar os meus sentimentos em relação a várias questões sem ser julgada…&lt;/em&gt; mesmo sendo um espaço com diferentes pessoas - &lt;strong&gt;&lt;em&gt;senti-me segura como não me sentia há muito tempo num espaço misto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Aproveitei também para ter os meus próprios momentos de reflexão. Uma das coisas que achei bastante positiva foi que, apesar de os dias serem bem estruturados numa vivência comunitária, me foi possível ter o meu espaço próprio onde podia canalizar as minhas energias e repensar em muitas questões do meu dia a dia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20180402-handsinhands.jpg&quot; alt=&quot;Hands in Hands&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;É um facto, eu faço activismo de coração.&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Não consigo desconectar a minha emoção da minha vivência e da minha luta política diária.&lt;/em&gt; O meu sentir torna-se ele próprio uma luta. Não estou muitas vezes a discutir questões que não me tocam, mas sim questões que me afectam de forma profunda. Por isso, acabo por depositar toda a energia que tenho nestes momentos, nestas reflexões, nestes questionamentos. &lt;strong&gt;A minha relação com as pessoas pode e deve também ser desconstruída.&lt;/strong&gt; Permitindo-me viver em mais segurança, não apenas em liberdade, mas em estabilidade emocional.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A minha perspectiva é sempre pessoal, intransmissível e contextual, mas enquanto pessoa que se afirma na sua identidade política e privada muitas questões irão sempre aparecer no dia a dia.&lt;/strong&gt; Hoje em dia tenho o cuidado de tentar entender quando as pessoas têm dúvidas genuínas e com isso conduzi-las a espaços próprios para esclarecimento de dúvidas - como as tertúlias ou quando as pessoas têm momentos de curiosidade invasiva. &lt;em&gt;O problema de viver num jogo da não normatividade é ser sujeita a este embate.&lt;/em&gt; Questionando-me se não gostaria de saltar ainda mais fora da normatividade (por questões de protecção pessoal ainda mantenho alguma ligação) e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;planear a minha posição enquanto agente político&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Por vezes &lt;strong&gt;&lt;em&gt;este questionamento passa pela a vontade de promover algum separatismo identitário&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; o que me leva muitas vezes a dizer: &lt;em&gt;eu não quero estabelecer relações com um mundo que é white-abled-hetero-cis-mono-normativo&lt;/em&gt;. Se pertences a esse mundo, não te quero comigo. Acredito que a solução é mais complexa do que esta, mas a dificuldade muitas vezes leva-me a este pensamento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda no sábado, a caminho do Porto, acabei a conversar com o passageiro que ia a meu lado no comboio, a confusão instaurou-se quando fui ao café e o fiscal perguntou pela rapariga que deveria estar ao lado dele. Quando volto: a interrogação, meto o chapéu de educadora. Não sou obrigada a tal, mas o meu bom senso tenta passar por cima disso e acabo a ser questionada pelo facto de ter “acção” ou não, se faço travestismo, se “executo serviços” ou se “faço topless” na praia. Rapidamente equaciono a minha posição e penso: é por estas razões que eu não quero pessoas hetero-cis na minha vida… tenho pena de estar a ser separatista, mas não tenho essa obrigação. No fim sou rematada com a frase “é importante sermos todos abertos quando falamos”, ao qual fica a resposta “mas quem é que afinal estava a ser inundada por perguntas de teor invasivo?”, é nesta abertura que ficamos?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porém, este é um caso entre muitos que me passam na vida de pessoas que não conheço, que estão fora do meu espectro de acção. &lt;em&gt;Logo, pessoas a quem não posso incentivar com facilidade a uma formação devida, a uma procura inteligente de informação… são uma e outra pessoa comum que não têm noção do espaço privado do outro.&lt;/em&gt; De quando estão a ser invasivos e a destruir um bocadinho do outro. Tudo muda quando falas de pessoas que te são próximas. A dificuldade cresce, a angústia aumenta exponencialmente e a pergunta “onde é que eu errei?” aparece por todos os sítios. Se tenho pessoas amigas que são cis e hetero e mono, tenho, se por vezes queria não os ter? &lt;strong&gt;Se deixarem de ser invasivos não tenho problema, mas a amizade não dá carta branca para as mais variadas situações.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu legalmente sou uma rapariga, independentemente da minha corporalidade, rapazes: &lt;strong&gt;não me digam que não podem estar comigo porque são hetero&lt;/strong&gt;! Isso é um anulamento completo da minha identidade - podem sempre dizer que o meu corpo não vos atrai, mas nunca que é por serem hetero. &lt;strong&gt;É grave, é transfóbico, penoso e redutor, muito.&lt;/strong&gt; Se me achas atraente e até me dizes que queres uma relação física comigo, não digas que agora não o fazes porque tenho nome de rapariga. &lt;strong&gt;Mais uma vez, estás a reduzir-me ao absurdo e apagar a minha identidade, a apagar aquilo porque luto todos os dias.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Se queres ser uma pessoa inclusiva sê-o de forma séria&lt;/em&gt;, não sejas como o senhor que me conhece à dois minutos no comboio. Se queres realmente ser uma pessoa inclusiva, &lt;em&gt;pensa que o espaço do outro também deve ser respeitado, o mesmo espaço que tu exiges no teu dia a dia para ser respeitado&lt;/em&gt;. Se queres ser uma pessoa inclusiva, &lt;em&gt;ouve mais do que pergunta, percebe o que é ofensivo e respeita os espaços de discussão&lt;/em&gt;. Respeita a intimidade da outra pessoa. &lt;strong&gt;Porque sim, se no teu mundo isso funciona assim, no meu não. Eu vivo num mundo de cuidado e se não o queres fazer então não pertences.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Às vezes dou por mim em modo separatista, às vezes preciso de distância da normatividade, deste meio de poder. Não quero sentir a tua pena, o teu cuidado, quero que respeites aquilo que é meu e aquilo pelo que luto todos os dias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sou trans, sou mulher, sou não-binária, sou pan, sou anarquista relacional, sou neuro-não-normativa, posso ser tudo aquilo que podes não estar preparada: mas aprende, sê também honesta com os teus sentimentos e dificuldades, não apenas com o meu carácter enquanto pessoa.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/desabafos-de-um-dia-para-tempos-melhores/&quot;&gt;Desabafos de um dia, para tempos melhores&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a April 02, 2018.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[ErosPorto2018, uma perspectiva pessoal]]></title>
        <published>2018-03-15T23:30:00+00:00</published>
        <updated>2018-03-15T23:40:00+00:00</updated>
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
            <uri>http://www.overdestiny.com/</uri>
        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;No fim de semana de 10 de Março fui ao Porto com o objectivo primário de visitar, pela segunda vez, a feira erótica &lt;strong&gt;ErosPorto&lt;/strong&gt; - já lá tinha estado em 2017. &lt;em&gt;A expectativa não era muito alta depois do que assisti o ano passado, mas dado que havia uma probabilidade do tema da feira abordar questões trans, decidi ir este ano.&lt;/em&gt; No entanto havia o receio da representação trans da feira fosse apenas um fetish e não mais do que isso. &lt;em&gt;É sempre um desafio entender de que modo este espaço tenta ser inclusivo, ou não, e de que modo poderá ser proporcionada uma boa ou má experiência.&lt;/em&gt; Porém, dá-me a entender que a mecânica da feira não muda praticamente nada de ano para ano.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20180315-erosporto2018.jpg&quot; alt=&quot;ErosPorto 2018&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O ano passado serviu-me de comparação a feira erótica de Lisboa que tinha havido anteriormente e tive logo algumas observações a apontar como, por exemplo, a falta de um palco principal que não fosse de editora nenhuma em particular, mas onde havia espectáculos vários a noite inteira. Este ano, o ErosPorto continuou a pecar pela mesma falta. Este ano decidi ver shows diferentes do ano passado - acabei a ver um show hétero e um show swing. &lt;em&gt;Ambos deixaram bastante a desejar e o telemóvel foi a minha escapatória para me entreter a passar o tempo enquanto o espectáculo durava.&lt;/em&gt; Erotismo não existia e a representação (sim, nós sabemos que é tudo representação) deixava imenso a desejar. &lt;strong&gt;No fim foi sentir o mesmo que senti o ano passado: a feira não tem um valor educativo que poderia ter nem, certamente, um valor identitário que poderia demonstrar. Uma feira erótica poderia ter todo um potencial se não fosse feita nestes moldes altamente capitalizados e comerciais.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não querendo discutir visões políticas na existência de um feira deste género, quero, no entanto, dizer que a experiência adquirida não foi apenas negativa, mesmo não tendo vontade de voltar a frequentar esta feira - a menos que mude radicalmente a sua forma de funcionar.
&lt;em&gt;Tirei algumas conclusões importantes sobre a minha própria dinâmica pessoal e sobre o meu caminho neste campo. Conclusões essas que não nascem de a ter frequentado, mas a mesma apresentou-me um contraste suficiente para entender as minhas dúvidas e dificuldades.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Há muitos anos que me afirmo enquanto pessoa não normativa, em várias componentes da minha vida, o que me leva a questionar permanentemente espaços que são por si só feitos e concebidos para uma normatividade, para um público que é maioritário e homogéneo.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;É neste contraste que também percebo a minha posição no mundo e, neste caso em particular, a minha posição no espaço das relações e da intimidade - ou, também dizendo, dos desejos.&lt;/strong&gt; Durante alguns anos tentei performar uma &lt;strong&gt;&lt;em&gt;vida mais normativa e isso implicava mimetizar comportamentos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; que não eram naturalmente meus e práticas que não eram, também elas, naturalmente minhas - &lt;em&gt;não estando isto relacionado com uma questão binária de género (ser homem ou ser mulher)&lt;/em&gt;, mas pela forma que eu sentia que me deveria exprimir para me sentir incluída e parte do grupo de pares. Assistir a vários palcos em que a &lt;em&gt;experiência física é sabotada pela ideia do que é normal, comercializado e capitalizado&lt;/em&gt; faz-me pensar na minha divergência, no quanto saí fora deste roteiro, deste percurso.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esta experiência deixou de ser um estímulo positivo, mas um estimulo que me reconhece na repulsa. &lt;em&gt;Uma das minhas dificuldades era não me reconhecer nestes modelos altamente white-abled-hetero-cis-mono-normativos&lt;/em&gt; e batalhar nos meus dias e nas minhas relações para eliminar estes resíduos tóxicos, no entanto, a falta de auto-estima por vezes faz-me voltar a &lt;em&gt;procurar um modelo mais socialmente reconhecido (normativo) para que consiga sobreviver a esta violência&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;A minha mimetização é então uma forma de sobrevivência e não uma forma natural de existir.&lt;/strong&gt; O meu corpo deve seguir o seu próprio caminho, o seu ritmo e a sua própria forma de existir. &lt;strong&gt;A cópia, ainda que inconsciente, não me leva a um caminho de realização, pelo contrário, leva-me a à frustração, a um apagamento do meu próprio eu, da minha identidade.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se me perguntam o que é então uma relação não normativa, &lt;strong&gt;só posso dizer que também é uma relação onde eu me posso deixar existir em pleno, em toda a minha figura, forma e sentir.&lt;/strong&gt; Se me pergunta o que é então violento numa relação normativa: &lt;strong&gt;a sua forma inconscientemente e consciente de ser hegemónica&lt;/strong&gt;, desconsiderando todas as outras formas de sentir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porque no fim, &lt;strong&gt;o sexo também ele pode ser político&lt;/strong&gt;. O acesso ao corpo, à sua autonomia, ao seu direito no espaço privado e público. Porque também &lt;strong&gt;o sexo pode ser identitário&lt;/strong&gt; nas suas formas de existir. Porque o prazer pode ser complexo, mas não tem de ser complicado. &lt;strong&gt;O prazer é também ele um direito.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;http://www.erosporto.com&quot;&gt;ErosPorto&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/erosporto2018-uma-perspectiva-pessoal/&quot;&gt;ErosPorto2018, uma perspectiva pessoal&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a March 15, 2018.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <title type="html"><![CDATA[A música do meu corpo]]></title>
        <published>2018-03-13T23:00:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
            <uri>http://www.overdestiny.com/</uri>
        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;Oiço música, os meus dedos mexem ao seu ritmo, batem na mesa e estalam entre si. &lt;strong&gt;Sinto-me pensativa e contemplativa.&lt;/strong&gt; A calma invade-me o corpo e o sorriso antecede a própria vontade de sorrir. &lt;strong&gt;Estou feliz, um feliz de estar, um feliz de entendimento de mim, de resolução e de permanência.&lt;/strong&gt; Não sabia como começar este texto, mas não me pareceu importante saber começar, mas sim expressar. Porque o momento é de expressão, é de sentir, não é de exposição ou ensinamento. É um texto de mim para mim, mas sobretudo do mundo para a minha alma. &lt;em&gt;Porque na escrita o mundo também comunica comigo. Permite-me.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20180313-bodymusic.jpg&quot; alt=&quot;As minhas mãos percorrem-se a elas mesmas, tocam-se, sentem-se.&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Observo-me na música, como se cada nota, cada tom, cada instrumento fosse um pedaço de mim. Um pedaço que ecoa pelo conjunto, formando uma melodia… &lt;strong&gt;eu sou uma melodia, fluida, contínua, sem princípio nem fim, infinita&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Reconheço-me nos altos e nos baixos, nas notas graves e nas notas agudas… Ou até mesmo nos silêncios.&lt;/em&gt; Danço o meu corpo e o meu corpo é dançado por esta sequência musical. O meu corpo é vivido pela sua audiência, escutado, sentido. A música não pára, nunca pára, por vezes segue vários caminhos, interpretações, modos diferentes de ouvir a mesma sintonia. Modos diferentes de reconhecer o traço que a caracteriza, no entanto é uma, única. O silêncio é a sua continuidade, é o ponto de mudança, de reestruturação. O silêncio é o próprio existir. &lt;strong&gt;Um existir que se transforma, que não é inerte, volve com a acção, com o encanto.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As minhas mãos percorrem-se a elas mesmas, tocam-se, sentem-se. Também elas tocam cada uma das minhas partículas, cada parte do meu eu. &lt;em&gt;O meu corpo reage, empodera-se nesta dança, a dança do mundo.&lt;/em&gt; O meu corpo é todo ele um mar de notas, de traços, de acordes e combinações. O meu corpo vive para tocar e ser tocado. Para criar música, para criar construções e reconstruções de si, do espaço e do tempo. Há momentos em que o meu corpo aparenta ser um concerto sinfônico, outros momentos que acha-se nas violentas passagens de uma bateria. Há momentos em que o meu corpo se mostra medieval, outras pós modernista. O meu corpo aparenta tudo o que deseja ser. O meu corpo é como uma rádio que não morre nem nasce, mas acompanha. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O meu corpo é uma partitura escrita em folhas de laranjeira. Suave, mas resistente, ao tempo, à mudança e à erosão. O meu corpo não desaparece, nunca.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As mãos deixam de tocar só nelas mesmas, procuram-se na infinidade de possibilidades, encontram-se na sua própria capacidade de se reconhecer em par. Este é o meu instrumento. &lt;em&gt;É a minha máquina de estar, a minha máquina da vida.&lt;/em&gt; As minhas mãos procuram em todo o meu corpo o seu destino, o momento em que se devem silenciar para se transformarem. Porque as minhas mãos são como cordas que oscilam, fixas na sua identidade, mas soltas na sua descoberta. Um princípio e fim que podem ser o mesmo. As minhas mãos encontram todas as formas de eu estar, todas as formas de eu me sentir, todas as formas de eu me ouvir. As minhas mãos são como teclas de um piano, suaves, sensíveis, fortes. &lt;em&gt;O meu corpo é como um piano que se deixa levar pelo toque, pelo arrastar dos dedos, pelo envolvimento da emoção. &lt;strong&gt;Porque o meu corpo é como um instrumento que não se destrói, re-materializa-se&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As minhas mãos desejam, o meu corpo deseja. As minhas mãos e o meu corpo são como o músico e o instrumento. &lt;strong&gt;O meu corpo é para tocar e ser tocado, a música nunca acaba.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem por &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/giuliasphotography&quot;&gt;Giulia Bartra&lt;/a&gt;: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/giuliasphotography/8501159577&quot;&gt;soultotake&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/a-musica-do-meu-corpo/&quot;&gt;A música do meu corpo&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a March 13, 2018.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Há uns anos atrás...]]></title>
        <published>2018-01-16T16:30:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
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        <content type="html">&lt;p&gt;Lembro-me, como se fosse hoje, &lt;em&gt;de há uns anos atrás estar num processo de recuperação mais doloroso, muito mais doloroso&lt;/em&gt;, do que estou nos dias de hoje. &lt;strong&gt;Mais pesado, mais violento, mais esgotante.&lt;/strong&gt; Não era só a minha mente que estava em cacos, mas era também eu, fisicamente, que em cacos estava. &lt;strong&gt;Este processo foi longo, ou relativamente longo…&lt;/strong&gt; o tempo demarca-se muitas vezes pelas expectativas e não pelo tempo do relógio. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Durante esse tempo, algo permanecia: a dor.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Muito ou pouco tempo, a dor estar lá, permanente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20180116-neurodiverse.jpg&quot; alt=&quot;Neurodiversidade&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na altura vivia um dia de cada vez, para sobreviver uma hora de cada vez. Fazer os básicos dos básicos era para mim uma conquista a cada momento - no entanto, celebrado com muita dificuldade. &lt;em&gt;Sempre achei que não estava a fazer mais do que o devido, do que se esperava que eu fizesse ou conseguisse. Esse pensamento perpétua-se constantemente.&lt;/em&gt;
Durante a minha estadia na escola básica e no secundário sempre demonstrei bons resultados. Porém, depois do meu primeiro internamento no 12º ano, as minhas notas caíram a pique. Eu caí a pique. &lt;em&gt;Na época lembro-me que muitas vozes circulavam à minha volta dizendo que iria viver na dependência, que não iria ser capaz de ser autónoma, que teria de deixar a escola e que não iria ser capaz de vir a trabalhar para ganhar alguma independência.&lt;/em&gt; Este era o meu estado aos 18 anos. Enclausurada no meu próprio problema. Enclausurada na minha própria vida e nos meus pensamentos. &lt;strong&gt;Eu não era nada nem iria ser nada.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Acabei o 12º Ano, entrei para Matemática Aplicada e Computação no IST com média de 19. No entanto as crises não paravam, o mal estar não estava completamente resolvido, não, de todo. Voltei a ter uma crise major e voltei ao internamento. Recuperei, mas lentamente. Neste tempo de recuperação fui-me cruzando com pessoas, pessoas diferentes, muito diferentes. &lt;em&gt;Lembro-me, como se fosse hoje, ter pessoas no meu círculo de amizades que me diziam que, dado que eu tinha um problema de saúde mental não deveria ter direito a qualquer opinião - seria invalidada logo à priori pela minha condição - ou seja, eu não podia existir na minha autonomia, na minha existência.&lt;/em&gt; Vários destes episódios foram acontecendo e cheguei seriamente a acreditar nesta realidade. &lt;strong&gt;Eu não podia.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por outro lado, &lt;em&gt;havia quem acreditasse que este estado era apenas um estado de preguiça, de não vontade&lt;/em&gt;. Que o gesto de pensar positivo e andar com a vida para a frente seria o caminho para eu ficar bem - não necessitava mais do que isso - pensar positivo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje em dia percebo, dentro do possível, a minha neuro divergência. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tenho um olhar crítico sobre o meu próprio estado e tenho o entendimento sobre um caminho que devo percorrer, que ainda é necessário.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Porém, foram muitos anos, mas mesmo muitos anos a sentir que não tinha espaço no mundo, a acreditar que o problema estava exclusivamente em mim e na minha incapacidade. &lt;em&gt;Ainda hoje sofro consequências disso, desse processo, dessa assimilação da realidade.&lt;/em&gt; E o que nós aprendemos? De uma forma capacitista e sem respeito humano que &lt;em&gt;pessoas neuro divergentes não são capazes, que são culpadas do seu falhanço emocional, do seu falhanço relacional e do seu falhanço social&lt;/em&gt;. É isto que aprendemos e que interiorizamos toda uma vida. O “atrasado mental”, o “doente mental”, o “retardado”… aprendemos a ser menos, porque fazem-nos crer que iremos ser sempre menos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Num mundo em que a saúde mental é completamente desprezada é necessário levantar a voz - dizer que existimos e que não somos menos.&lt;/strong&gt; Que as nossas dificuldades não são preguiça ou má vontade, que os nossos ritmos são diferentes e, que sim, também sofremos angústias pelo mundo em que vivemos, que sim, &lt;strong&gt;sentimos, não somos objectos inertes e sem vida.&lt;/strong&gt; A falta de informação é catastrófica, a falta de compreensão também. Porém, nós estamos cá e vamos cá continuar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por dias melhores e cada vez melhores, lutamos sempre que podemos.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/ha-uns-anos-atras/&quot;&gt;Há uns anos atrás...&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a January 16, 2018.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[E assim começou um novo ano, 2018]]></title>
        <published>2018-01-01T19:30:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
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        <content type="html">&lt;p&gt;E assim começou um novo ano, 2018 - com uma Super Lua. &lt;em&gt;Estou sentada na areia da praia a escrever e a ver as ondas do mar, um período de reflexão pessoal que me é importante, necessária e essencial.&lt;/em&gt; O som do mar acalma-me e relaxa-me e é, sem sombra de dúvida, um magnífico mecanismo para pensar em segurança sobre os últimos tempos e, com isso, projectar um novo ciclo. &lt;strong&gt;Um novo ciclo que urge e que promete bastantes mudanças.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20180101-monster.png&quot; alt=&quot;Os monstros não dormem debaixo da tua cama, mas sim na tua cabeça&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No ano de 2016 fui fustigada por uma crise mista, euforia misturada com depressão, teve um efeito pesado na minha estabilidade emocional e cognitiva. &lt;strong&gt;Foi um ano doloroso e, no fim, custou-me caro a vários níveis.&lt;/strong&gt; Entrei num ano de 2017 a querer melhorar e a querer tomar um novo rumo. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Porém, após alguns meses de recuperação frágil, a depressão atacou e os últimos meses têm sido vividos com grande dificuldade.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Já não me sentia esgotada física e mentalmente há algum tempo. Já não me sentia querer isolar tanto há muito tempo. Reconfortada no meu ninho frágil. &lt;em&gt;Mas um ninho frágil é por si só um problema.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Comecei a trabalhar num local novo, o anterior ficou perdido nas minhas dificuldades e por isso não posso retirar dele grandes virtudes. Porém, querer manter-me capaz de trabalhar tem-me ajudado a ter forças  para acordar todos os dias e sair da cama. No entanto, com o aumento do cansaço, até isso me tem sido difícil, muito difícil… &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Voltei a ser assaltada pelo pânico e pelos comportamentos compulsivos, voltei a ter medo de estar e existir.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Se me sinto triste ou feliz? Não sei, sei que nos últimos meses não tenho conseguido sentir nada de nada, tenho estado um autómato em piloto automático.&lt;/em&gt; Apenas isso. Acredito agora começar a melhorar, pelo menos alguns efeitos dos ajustes de medicação e terapia estão a ajudar. No entanto, tenho muitos vícios por quebrar, resíduos do passado e muitas lições para retirar para o futuro. &lt;em&gt;Será um caminho duro de percorrer, mas preciso de o atravessar. Manter-me saudável depende disso.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Talvez o meu maior problema: reconhecer-me, saber quem sou e que vida é a minha. Preciso entender-me enquanto pessoa e enquanto alguém que também tem dificuldades e necessidades.&lt;/strong&gt; Nos últimos dois meses experimentei um cansaço imenso, eu não ia a casa almoçar, mas sim dormir. O meu corpo queixou-se a todos os momentos, mandando-me parar, apenas isso parar. Eu não o sei ouvir. Não o consigo desligar, não consigo estar para mim, comigo. Isto refletiu-se na minha capacidade de estar com o outro, ou os outros. Quis desaparecer do mundo. Quis sair daqui. Quis fechar os olhos e não ter de os abrir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Neste ano de 2018 quero fazer diferente. Antes de tudo quero &lt;strong&gt;aprender sobre mim&lt;/strong&gt;, quero aprender os sinais do corpo e da mente. Quero olhar de frente e não para o chão. &lt;strong&gt;Quero aprender a interpretar tristeza e felicidade outra vez.&lt;/strong&gt; Quero aprender a viver de uma forma saudável. Mesmo que isso me custe ficar zangada, irritada ou infeliz. Mas tudo diferente de ficar apática e sem resposta alguma. Talvez isto já seja pedir muito para um próximo ano, mas é importante para mim traçar objectivos, porque até agora está vazia deles. Como se me tivessem sugado tudo o que tinha para dar ou pensar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu preciso acreditar que vou ser capaz, que não vou ser vencida, que aqueles momentos que já vivi não vão voltar porque esses são demasiado cruéis para reviver. &lt;strong&gt;Preciso acreditar que, mesmo com altos e baixos, eu tenho feito um caminho, um caminho que me tem preenchido. Que o meu vazio é temporário e que não é definitivo, apenas temporário. Apenas consequência.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Porque sim, sou mais do que isto. Sou.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/e-assim-comecou-um-novo-ano-2018/&quot;&gt;E assim começou um novo ano, 2018&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a January 01, 2018.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Começar e recomeçar do (zero)]]></title>
        <published>2017-09-25T00:30:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
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        <content type="html">&lt;p&gt;Sentada à secretária, &lt;strong&gt;os meus dois pequenos vagueiam pela sala&lt;/strong&gt; e, agora deitados, olham para mim na escuridão da sala. &lt;em&gt;Luz fusca que deixa as paredes marcadas de sombras e movimento.&lt;/em&gt; As paredes ganharam vida, a minha sombra tem vida. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sinto que estou numa fase de mudança e de uma mudança essencial para o meu futuro, não só para os próximos dias, mas aquele futuro que todas as as pessoas falam - do médio e longo prazo.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Simultaneamente ouço algumas músicas que já não ouvia há uns três ou quatro anos, nostalgia? Talvez. Porém, são elementos da minha vida continua, do meu espaço e do meu tempo, das minhas passadas pelo caminho que percorro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20170924-depression.jpg&quot; alt=&quot;Depressão&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Percebi que devo recomeçar - mas de uma forma diferente. &lt;strong&gt;Preciso, agora, parar e pensar. Escutar o que o meu corpo e mente me dizem, escutar as minhas necessidades, presentes e futuras.&lt;/strong&gt; Neste sentido, necessito de me restabelecer e de voltar a ganhar energia. Construir-me e desenvolver-me de dentro para fora. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Enfrentar, neste momento, algumas das minhas actuais dificuldades e continuar a trabalhar nas minhas facilidades.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Desta forma decidi que preciso ter uma relação saudável comigo e, com esta mudança, não ter qualquer outra relação principal - a minha precisa de ser estruturalmente a única. Decidi, também, que preciso reduzir a toxicidade a que estou sujeita e, com isso aprender a arranjar novas estratégias pessoais para evitar esta situação - uma delas, já adotada há alguns dias, foi a redução do tempo gasto em redes sociais, apostando na força das conversas presenciais. Os planos de tarefas começaram a ser também uma forma importante de organizar o meu tempo e a minha própria disponibilidade. Agora que, também, vão começar as aulas é uma oportunidade para apostar nos meus próprios projectos e ideias. É uma boa oportunidade para tentar fazer-me crescer noutras frentes e aproveitar esse mesmo contexto para diversificar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Neste momento preciso de descanso e reduzir o ritmo e, com isso, apostar no essencial e deixar o resto para mais tarde.&lt;/em&gt; Eu gosto de listas, por isso não vou esquecendo de apontar o que preciso e quero fazer no futuro. Esta retração pessoal é-me necessário - reservar-me, proteger-me e realinhar o meu caminho. Com esta mudança preciso de criar, novamente, os meus espaços seguros. &lt;em&gt;E, quando digo meus, quero dizer espaços que não poderão ser ocupados por outras vivências, apenas as minhas - o meu local de retiro. O silêncio é também uma forma de comunicar, nos dois sentidos e, a minha mente neste momento está silenciosa. Para dizer a verdade, triste e silenciosa.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esta era uma pausa que deveria ter feito há alguns meses atrás - &lt;strong&gt;decidi não fazer&lt;/strong&gt; - acreditava que me iria conseguir endireitar naturalmente. &lt;strong&gt;Endireitei, mas não foi a forma saudável de o fazer, não foi com respeito à minha própria pessoa e aos meus limites.&lt;/strong&gt; Neste momento terei de os definir claramente, os meus máximos e os meus mínimos - até pode posso e devo ir, até onde posso e devo deixar estar. &lt;strong&gt;É, de alguma forma, óbvio que tenho consciência do que me está a acontecer - estou num período de oscilação e estou a cair num estado depressivo e, como é de esperar, também já tenho isso em mente nas questões a resolver e de como as devo resolver.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Assim, preciso de renascer, recomeçar e começar. Preciso de me reestruturar e preparar para mais uns dias de conflito interior. Felizmente sei que depois destes dias virão dias melhores, mais sorridentes e meus amigos. &lt;strong&gt;Estas oscilações não são infinitas, porém é imperativo para mim assinalar que vou melhorar, reforçar a certeza de que tudo vai correr pelo melhor - assim o espero.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/comecar-e-recomecar-do-zero/&quot;&gt;Começar e recomeçar do (zero)&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a September 25, 2017.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Tic, tac, tic, tac, os ponteiros avançam...]]></title>
        <published>2017-09-04T02:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
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        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;Já passa das 24h. Não é tarde, mas também não é cedo. Escrevo porque estou triste, escrevo porque preciso de escrever. Escrevo porque me entristece, escrevo porque me esvazia, escrevo porque me limpa a alma. Estou melancólica, a música não está certa, a luz está errada, os pequenos passeiam-se pela luz fusca da noite, brincam, celebram os seus momentos de paixão mútua. Alegra-me ver os pequenos - ainda que me me venham de vez em quando roubar as bolachas de milho - alegra-me.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20170904-pocketwatch.jpg&quot; alt=&quot;Relógio de Bolso&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Conto os segundos, os minutos e as horas. O cansaço apodera-se de mim, mas não a vontade de dormir. Há dias em que, para mim, dormir significa pânico, hoje é um desses dias. Inconsistente, vazia. Procuro nas minhas listas infindáveis aquela onde eu pertenço. Procuro-me, para me tentar desencontrar. Ser quem não sou, quero ser quem não sou - procurar ir para onde não quero ir, sair do meu destino e caminhar por onde nunca quis estar. Procuro-me nas curvas para me achar nos caminhos direitos, mas encaixo-me nas contracurvas para me reencontrar fora da estrada. A música passa e as palavras vão-me deixando de fazer sentido… será que o sono está a vir? Ainda não me parece. O sono pertence ao meu caminho e eu estou fora dele. É assim possível imaginar… fora dele.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Escrevo porque preciso escrever, não escrevo porque quero ter sentido, escrevo em tom de desabafo, não escrevo porque tenciono reflectir, escrevo em tom de incereza porque não tenciono certificar. O peso de cada letra reflecte a sua própria perfomance na sociedade, interpretações, movimentos, ideias, imaginações, realidades e irrealidades - o peso de cada letra perde-se na sua origem, na sua função primária, no seu intuito - traduzir-me… traduzir-me no momento, no instante.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A palavra é performativa, o escrever e o falar são performativos, fruto do eu comigo e do eu com o exterior. A palavra é vazia quando vazia está - mas cheia quando, ainda que vazia, lhe dão conteúdo. A palavra é só isso - conteúdo - partes de um contexto, partes de uma alguém, algures, em viagem.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O meu caminho percorre-se de palavras, de curvas e contracurvas, de vontades e querer. O meu caminho percorre-se também de frustração, de desespero, de questionamento, de quedas, de dor e sofrimento. O meu caminho é completo, é contínuo, manchado, sujo, suado. É tudo… tudo. Enche-se o meu coração quando o meu caminho é dito limpo, consciente, definido, enche-se o meu coração quando o meu caminho é lido eficaz, perspicaz, capaz. Enche-se me o coração quando o meu caminho é afirmado, como um caminho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Neste momento o cansaço consome-me e, com isso, a minha vontade. Neste momento o cansaço mata-me e, com isso, o meu capaz. Neste momento o cansaço devora-me e, com isso, a minha força. Quero dar mais um passo, mas escorrego dois na direcção oposta, quero segurar-me, mas caio cada vez mais. Quero… mas não quero. Será que eu quero sequer ter um caminho? Será que o caminho quer sequer que eu o percorra? Em que ponto nos tocamos? Em que ponto nos cruzamos?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não é tarde, mas também não é cedo. São momentos, são convalescências e reentradas no mundo. Porque também preciso existir, porque quero existir, porque existo. Cada palavra, um suspiro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/tic-tac-tic-tac-os-ponteiros-avancam/&quot;&gt;Tic, tac, tic, tac, os ponteiros avançam...&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a September 04, 2017.&lt;/p&gt;
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        <id>http://www.overdestiny.com/as-pessoas-verdadeiras</id>
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        <title type="html"><![CDATA[As pessoas verdadeiras]]></title>
        <published>2017-07-01T20:30:00+01:00</published>
        
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            <name>Dani Bento</name>
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        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;Queria escrever, mas não sabia bem sobre o quê… tenho um bloco cheio de notas com textos e assuntos que gostava de desenvolver, porém, a minha falta de criatividade tem dificultado esta tarefa. No entanto, todos os dias acontecem-nos coisas e, muitas vezes, são essas mesmas situações que nos levam a desenvolver o nosso lado emocional e criativo. E, a propósito dos vários trajectos que tenho feito, a veracidade é um dos denominadores comuns de quase todas as partes desse percurso. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A veracidade no seu sentido lato, construído e assimilado.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Uma veracidade que interroga a minha própria existência no mundo, como se existir não fosse suficiente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20170701-mirror.jpg&quot; alt=&quot;Espelho&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando fiz o meu coming out como pessoa &lt;strong&gt;bissexual&lt;/strong&gt; fui questionada sobre a verdadeira natureza da minha (à altura) &lt;strong&gt;heterosexualidade&lt;/strong&gt;, porque não me assumia eu como &lt;strong&gt;homossexual&lt;/strong&gt;? Porém a dúvida surgia pelo facto de (à altura) eu ter &lt;strong&gt;&lt;em&gt;relações heteronormativas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e, como tal, certamente &lt;em&gt;estaria a não ser verdadeira com as pessoas que amava.&lt;/em&gt; Mais tarde, vem a minha descoberta da palavra &lt;strong&gt;pansexual&lt;/strong&gt; e a minha identificação com ela - o dilema começou novamente: isso não existe. Novamente a veracidade do meu amor é questionado em detrimento da argumentação de que no mundo só há certezas e formas protocolares de viver.
O tempo passa e, afirmar a minha &lt;strong&gt;pansexualidade&lt;/strong&gt; era uma tarefa árdua, &lt;em&gt;não porque me obrigassem a fazê-lo, mas porque me obrigavam a ter a necessidade de o fazer&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O meu amor por alguém era (e continua a ser) desmontado até nada dele restar.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mais tarde o meu coming out como pessoa &lt;strong&gt;poliamorosa&lt;/strong&gt; trouxe mais dúvidas à minha capacidade de estar e fazer corresponder, a dificuldade em encontrar pessoas que têm a mesma linha de pensamento do que eu deixou-me perdida durante algum tempo, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;duvidando da minha própria pessoa e de como era representado o meu amor&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. O questionamento sobre a minha forma de gostar era constante e, mais uma vez, uma constante demonstração de que se eu existo e assim o sinto é porque é válido. No seguimento deste processo, reaprendi-me enquanto &lt;strong&gt;anarquista relacional&lt;/strong&gt; e a ideia de remover qualquer rótulo relacional assusta - novamente, quem sou eu e para onde vou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No meio deste processo de questionamento amoroso, fiz os meus coming outs como &lt;strong&gt;mulher trans&lt;/strong&gt; e depois como &lt;strong&gt;mulher trans não binária&lt;/strong&gt; (ou &lt;strong&gt;pessoa não binária transfeminina&lt;/strong&gt;). &lt;em&gt;E, por outra vez, sou atacada pela dúvida de quem sou, a minha mutabilidade identitária é uma prova da minha própria incoerência - será?&lt;/em&gt; Novamente tenho de me auto afirmar permanentemente para ver a minha identidade reconhecida, o meu papel reconhecido e o meu valor enquanto pessoa estimado. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O meu corpo passou a ser a fonte do controlo social à minha identidade, eu só sou se… eu só passarei a ser se.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; A minha existência identitária passou a estar nas mãos da construção social sobre uma realidade que nem sequer é minha. É verdade que procuro a desconstrução do género, da sua forma e do seu impacto social - questiono o que é feminino ou masculino - não me revejo nestes parametros (tenho-me aproximado bastante da definição &lt;strong&gt;agénero/neutrois/demigirl&lt;/strong&gt; dentro do espectro não binário, para além de me identificar também como &lt;strong&gt;genderfuck&lt;/strong&gt;).&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;Porém, no dia a dia, o não reconhecimento da minha não binariedade e o
não reconhecimento de mim enquanto pessoa verdadeira torna-se
perturbador - não ser interpretada como homem, mas também não ser
intepretada como mulher, não porque sou não-binária, mas porque não
sou uma mulher como as outras, verdadeira. Sou uma mulher de
corporalidade masculina, logo não verdadeira.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;E, como em todas as minhas outras identidades, vejo-me novamente na obrigação compulsória de provar a veracidade da minha existência e de quem sou - procurar os caminhos que me ajudem a percorrer de uma forma sensata e protegida no meu percurso.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Procurar mexer-me nestes trilhos de construções sociais milenares, que se alimentam delas próprias, é um &lt;em&gt;percurso de libertação tremendo, mas sem dúvida um caminho de dúvida constante, um caminho de confronto permanente e um caminho duro&lt;/em&gt;. É, sem questão alguma, um processo de inclusão de mim mesma, com tudo o que posso ser, com tudo o que posso dar e receber. No fim, ainda uma &lt;em&gt;estrada demasiado longa para ser percorrida por uma pessoa só, uma estrada demasiado longa para ser deixada a corroer nos imensos obstáculos&lt;/em&gt;. Porque não quero ser integrada, quero ser incluída. Porque não quero ter de pertencer a grupos, mas quero poder ser incluída. &lt;strong&gt;Porque não quero ser reconhecida apenas como parte, mas pelo meu todo. Porque não quero ser reconhecida pelo que construiram para mim, mas pelo que eu construo em mim.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Mais do que ser um conjunto de identidades que se interseccionam, sou. A minha existência deveria ser a prova de que as minhas identidades são reais e que são plenas e válidas - sou verdadeira.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/bunnylounge/300023167/&quot;&gt;https://www.flickr.com/photos/bunnylounge/300023167/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/as-pessoas-verdadeiras/&quot;&gt;As pessoas verdadeiras&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a July 01, 2017.&lt;/p&gt;
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        <id>http://www.overdestiny.com/amores-que-se-transformam-em-amores</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Amores que se transformam em amores]]></title>
        <published>2017-04-06T23:30:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
            <uri>http://www.overdestiny.com/</uri>
        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;Sou &lt;strong&gt;&lt;em&gt;anarquista relacional&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e, mais do que para as outras pessoas e para a sociedade no geral, &lt;em&gt;devo reconhecê-lo para a minha própria pessoa&lt;/em&gt;. Sou, desde há alguns anos, assumidamente uma pessoa poliamorosa mas em si (tal como, há mais alguns anos, o conceito de monogamia), esta visão criou-me alguns constrangimentos na forma como lia os meus sentimentos. &lt;em&gt;Não por ser incompatível comigo, mas devido à minha própria leitura do mundo e das relações que tinha e tenho, sejam elas em que dimensão e de que dimensão.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20170406-relationshipanarchy.png&quot; alt=&quot;Anarquia Relacional&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Lembro-me, há alguns anos, quando comecei  a &lt;em&gt;questionar modelos de exclusividade&lt;/em&gt;: simplesmente &lt;em&gt;o meu modo natural de funcionar não era assim&lt;/em&gt;. Com isso, e com a pouca informação que tinha, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;tentei performar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Tal como o fiz com a minha identidade a nível do género, também o fiz a nível sexual e relacional.&lt;/em&gt; Os meus sentimentos não eram menos verdadeiros ou válidos, mas interiormente mais difíceis de gerir. Associado a um problema de foro emocional, a luta era permanente. Por isso, fazer &lt;em&gt;coming out&lt;/em&gt; sucessivos foi a minha botija de escape emocional, livrando-me a cada momento de correntes que me iam prendendo o ser, a existência, a personalidade e o sentir. Foi um trabalho árduo e longo e &lt;strong&gt;perguntei-me muitas vezes se fazia sentido estar a navegar contra a corrente&lt;/strong&gt; a tantos níveis diferentes. A resposta é simples: &lt;strong&gt;sim&lt;/strong&gt;. É uma batalha que me trouxe enormes vitórias pessoais e, principalmente, poder sentir e viver em plenitude.&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;O conceito de amor, para mim, sempre foi simples. Nunca senti que
devesse ter um protocolo, uma forma, uma definição. O conceito de amor
encerra nele próprio todo o conteúdo e o sentir. Na sua mais livre
vontade de estar, existir e partilhar. O amor actua em infinitas
dimensões e com infinitas dimensões. Não há o amor errado, como não há
o amor certo. Não há o amor mais ou o amor menos. Existem, sim,
pessoas com múltiplas vivências, estados, sentires, personalidades,
identidades e interseccionalidades. Existem, sim, amores, tantos
amores quantas pessoas, relações e suas combinações. Um amor de
multiplicidades, infinito na sua forma, infinito na sua própria causa.
É um amor que só depende de quem ama e é amado.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Nesta forma própria de sentir amor, &lt;em&gt;venho-me descobrindo nas múltiplas camadas de sentimentos e acções que daí decorrem&lt;/em&gt;. Assim, &lt;strong&gt;deixou de me fazer sentido classificar estas formas de sentir, mas tornou-se necessário deixar que elas pudessem ser fluídas, de vários níveis e que pudessem usufruir da sua própria dinâmica de ser&lt;/strong&gt;. Todas as pessoas, por várias razões vêm a sua dinâmica interior evoluir em vários sentidos ao longo do tempo, porque não as próprias relações que estabelecem? Estas dinâmicas podem incluir variadíssimas combinações entre níveis e dimensões relacionais. &lt;strong&gt;Transformam-se, mutam, envolvem no espaço-tempo, nas dimensões emocionais, nas dimensões físicas, na distância e na proximidade&lt;/strong&gt;. Não são apenas espelhos da nossa existência, das nossas dificuldades e dos nossos medos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O que é para mim vivenciar-me como anarquista relacional?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; É existir em pleno nas minhas relações, daquilo que é criado e construído, daquilo que pode atingir mudança e daquilo que pode atingir estados. &lt;em&gt;Não faz de mim uma pessoa relacionalmente mais segura, faz de mim apenas eu&lt;/em&gt;. Faz de mim alvo dos meus próprios medos, das minhas próprias fragilidades, mas também alvo das minhas próprias responsabilidades e conquistas, derrotas e vitórias. &lt;em&gt;Porque no fim todas as relações são relações, porque eu e tu, eu e nós, tu e vós, são tão importantes quanto eu&lt;/em&gt;. As relações que por mim passaram e passam, desde o sorriso de bom dia com a pessoa estranha do café até aquilo que tradicionalmente se refere à intimidade, à validação relacional, são tão importantes como a minha própria existência nelas: a pessoa que recebeu um sorriso, a pessoa que comigo esteve intimamente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Deixo esta reflexão, pessoal apenas, porque no fim, amores se transformam sempre em amores.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/amores-que-se-transformam-em-amores/&quot;&gt;Amores que se transformam em amores&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a April 06, 2017.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <title type="html"><![CDATA[Interseccionalidades]]></title>
        <published>2017-03-27T11:45:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
            <uri>http://www.overdestiny.com/</uri>
        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;No dia 25 de Março, participei numa sessão partilhada no &lt;em&gt;Festival Zen&lt;/em&gt; - um festival para &lt;em&gt;Celebrar a Energia da Primavera&lt;/em&gt;, com o tema &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Biodiversidade Humana e Género”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, mas não quero falar desta sessão ou do festival, no entanto fez-me lembrar algo que gostava de ter escrito há imenso tempo e ainda não tinha tido oportunidade de o fazer. Um tópico sobre as minhas &lt;strong&gt;interseccionalidades&lt;/strong&gt;, sobre a minha própria vivência enquanto pessoa não-binária.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20170327-femmefatal.jpg&quot; alt=&quot;Femme Fatal&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Já &lt;a href=&quot;/queer-existencia/&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; escrevi sobre &lt;em&gt;identidades não binárias&lt;/em&gt;, já &lt;a href=&quot;/viver-enquanto-pessoa-nao-binaria/&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; escrevi sobre parte da minha &lt;em&gt;visão enquanto pessoa não binária&lt;/em&gt;, mas, e sobretudo isto, já &lt;a href=&quot;/consciencia-e-privilegio/&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; escrevi sobre &lt;em&gt;privilégio&lt;/em&gt;. A sessão que co-apresentei no festival foi numa sala intitulada &lt;strong&gt;“Sala Mulher”.&lt;/strong&gt; Foi uma vitória para mim, enquanto pessoa que se identifica como mulher poder estar naquele espaço, tal como, no dia 9 de Março estive numa mesa sobre &lt;strong&gt;“O que é ser Mulher?”&lt;/strong&gt;. Porém, é aqui que reside o meu ponto. &lt;em&gt;Eu identifico-me como uma mulher trans que, também é uma pessoa não binária, a minha expressão é fluída e a minha identidade corporal é muito específica do meu sentir.&lt;/em&gt; Este conjunto de características fazem-me pensar na própria interseccionalidade da minha identidade, no conjunto de definições justapostas e não exclusivas que preenchem o meu ser, a minha identidade, a minha pessoa… a minha presença no mundo. &lt;em&gt;Com isto, terei eu menos voz em painéis como estes?&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Durante os mesmos levantei essa dúvida, levantei a auto crítica à minha própria existência. Sou eu merecedora dessa auto crítica? Acredito que não deveria.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estas intersecções relembram-me a minha posição enquanto mulher, trans, não binária, femme, pansexual e anarca relacional e, com isto, fazem-me questionar se seria o meu dia a dia mais fortemente validado se mantivesse a minha leitura social enquanto homem cisgénero, heterosexual e monogâmico. &lt;em&gt;Pergunto-me se o custo de me perder identitariamente valia essa leitura e privilégio? E como posso eu expressar esta minha decisão racional em ser eu própria em meios que ainda são tão pouco inclusivos a não normatividades? Será que sou “suficientemente”?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O meu pensamento é preverso nas minhas auto críticas.&lt;/strong&gt; Preverso 
porque as minhas emoções são desventradas até ao infímo detalhe. 
Preverso porque são as mesmas dúvidas que alimentam as minhas 
certezas ou, pelo menos, o meu caminho. &lt;em&gt;Deste modo, quando me 
construí enquanto pessoa que é pansexual, pessoa que é mulher, 
pessoa que é trans, pessoa que é não binária, pessoa que é femme, pessoa que é anarca relacional, construí a imagem social da minha própria interioridade.&lt;/em&gt; Construí o público do privado. E&lt;em&gt;stas intersecções passaram a fazer sentido na sua existência no mundo porque deixaram de fazer parte apenas do meu círculo interior, pessoal, imaginário, emocional, sonhador, existencialista.&lt;/em&gt; Estas intersecções pertencem ao mundo por via da minha pessoa, por via daquilo que eu sou a cada momento, instante após instante. &lt;strong&gt;Estas intersecções sou eu.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por isso, não sou homem. Não sou homem, não porque sou mulher, mas sim porque não acredito no significado de homem. Não sou mulher por justa posição a não ser homem. Não sou não binária por justa posição a não ser ambos. Sou mulher porque me identifico enquanto tal, sou mulher porque me enquadro no mesmo sistema de opressão. Sou não binária porque acredito na espacialidade do meu próprio género. Sou não binária porque não sou homem, mas acredito na minha masculinidade. Sou não binária, porque apenas sou e existo em pleno do meu ser.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/interseccionalidades/&quot;&gt;Interseccionalidades&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a March 27, 2017.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <id>http://www.overdestiny.com/porque-o-papel-fala-vida</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Porque o papel fala vida]]></title>
        <published>2017-02-16T10:30:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
            <uri>http://www.overdestiny.com/</uri>
        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;&lt;em&gt;Olho a folha de papel, penso nas linhas que me comprometo a escrever, mas ainda não sei o que caminho que vão tomar e, muito menos, o seu final. Olho a folha de papel e apenas penso nas linhas que me acredito querer escrever. Relembro a minha cadeira e a minha secretária, a minha caneta e o meu bloco, o teclado e o monitor, apenas. As linhas escrevem-se direitas, mas eu pretendo escrevê-las no espaço e tempo para o qual existem. As linhas escrevem-se em sequência, mas eu pretendo escrevê-las de acordo com a história que relatam.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20170216-manuscrit.jpg&quot; alt=&quot;Manuscrito&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;A folha de papel está amarelada, parece suja, mas é apenas a luz que raia do nascer do sol. A folha de papel está vazia, pronta para contar uma história. A história de quem a ler, a história de quem a pretender, apenas uma história para ficar ou esquecer.&lt;/em&gt; 
&lt;em&gt;É manhã, sentada na cadeira, solto um suspiro, não sei por onde vou começar. Mas vou. É o meu próprio desafio. É a minha meta, a minha conquista, o meu objectivo, a minha luta. Luta, porque de luta sou constituída, sempre fui e serei, sou. Uma luta que se expressa nas palavras, no sentir e na paixão, uma luta que se expressa na mão, no esforço e no tacto. Uma luta.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Olho a folha de papel, finalmente entra em contacto com a caneta, coragem ela grita, a caneta. A caneta que tem uma história, única, gasta e velha. A caneta que tem uma história, singular, penosa e destrutiva. A caneta. Sai a primeira palavra, o meu pulso treme, treme de temor, de arrependimento, sujei a folha… era limpa, vazia, sem sofrimento ou ternura… era uma folha. Olho a folha de papel que deixou de ser, olho a vida que passou a existir. Procuro entre as linhas o momento, procuro entre as linhas a forma e o modelo, procuro entre as linhas o futuro de um passado que é relatado. É, nestas letras, nesta tinta, nesta força, nesta mente, neste lugar, neste espaço, neste tempo, nesta existência que permaneço, mas que me deixo levar. É pelo conjunto do vazio da folha de papel que conquistou a vida que lhe é presenteada. É pela vida que vivo que decido abraçar o papel com a caneta. Juntos, para sempre, até sempre, agora. Juntos, a comunhão de ser interior com o exterior, apenas e sempre, ser e existir. Juntos. Permanentemente juntos. Papel que não se vai esgotar, caneta que não vai ficar sem tinta, braço que não se vai cansar, mente que não vai parar, lugar que permanecerá, espaço que conquistarei, tempo que é apenas meu.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;A folha de papel está amarelada, mas não apenas, está rica. Rica em traços que proclamam vivências e estados, permanências e quebras. Rica em traços que anunciam o finito do infinito. A história. Aquela história. Esta história. A história que queremos ler, que queremos declarar, que queremos vingar, que queremos manifestar. Manifesto. Suspiro novamente, o papel não acaba nunca. A minha mente acelera a cada toque, palavras que seguem a conduta e caem diretamente na folha, palavras que jorram sem limites, sem questão ou pudor, palavras. Palavras.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Porque eu quero, porque sempre quis, porque sempre vou querer. Rasgo a  folha, apago os traços, esqueço a vida e limpo as memórias. As linhas deixaram de existir, a tinta desapareceu, a mão enfraqueceu, a mente enlouqueceu, o espaço encolheu e o tempo… o tempo esqueceu.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Porque eu quero, porque sempre quis, porque sempre vou querer olhar a folha de papel amarelada da luz que raia do nascer do sol.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/porque-o-papel-fala-vida/&quot;&gt;Porque o papel fala vida&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a February 16, 2017.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <title type="html"><![CDATA[Depressão e Identidade]]></title>
        <published>2016-12-29T23:15:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
            <uri>http://www.overdestiny.com/</uri>
        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Gostava de pensar que a minha identidade se poderia expressar livremente ao longo do tempo. Gostava de pensar que isso seria uma realidade, mas infelizmente não o é.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; A minha expressão é limitada pela minha saúde, é limitada pela minha capacidade de viver em união comigo própria.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20161229-depression-identity.jpg&quot; alt=&quot;Depressão e Identidade&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estar &lt;strong&gt;deprimida&lt;/strong&gt; traz-me várias &lt;strong&gt;fragilidades&lt;/strong&gt; à superfície, traz-me &lt;strong&gt;incapacidade&lt;/strong&gt; e traz-me &lt;strong&gt;ansiedade&lt;/strong&gt;. Traz consigo um mal estar permanente que me esfaqueia aos poucos, devagar, muito devagar. Fico limitada, muito limitada. Por outro lado, &lt;em&gt;sinto a necessidade de me proteger, proteger dos olhares, dos comentários, dos ataques, das inseguranças&lt;/em&gt;. Deixo de conseguir ser eu pleno, esta necessidade afoga a minha existência, coloca-me num compasso de espera, num compasso de dificuldade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Estar permanentemente em estados ansiosos com alternância em estados de tristeza extrema faz-me refém.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Fico refém de mim mesma. Fico refém das minhas dificuldades. Segue uma solução que me ajuda - passar despercebida, passar sem questionamento. É fazer aquilo que odeio, limitar a minha expressão livre. A doença deixa-me frágil e com isso a incapacidade de poder reagir assertivamente ao que acontece fora da esfera privada. Essa fragilidade apaga a minha voz. &lt;strong&gt;Deixo de conseguir reclamar o meu espaço no espaço público, não é meu de direito, não é meu. Não o mereço, é isso que sinto ou penso.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A limitação do espaço público priva-me. Os estados depressivos controlam a minha capacidade de gerir a ansiedade e os problemas que me circundam, fecham em si mesmos o pessimismo de existir. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O não valer a pena. E com esse momento vêm as dúvidas, as incertezas, a incapacidade. E com esse momento vêm as culpas, os retrocessos, as paragens.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Quando não vale a pena, não vale. Não há existência, logo não há expressão. Há vazio. &lt;em&gt;Sem querer, reduzo-me a um mundo normativo do qual eu não concordo, reduzo-me aos tradicionais papeis… não porque eu quero, mas porque preciso de me salvaguardar, proteger e ganhar coragem para um novo ciclo de &lt;strong&gt;luta permanente&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estar &lt;em&gt;deprimida não é apenas a tristeza&lt;/em&gt;, é a &lt;em&gt;falta de vitalidade&lt;/em&gt; que me possui. A energia que falta e o cansaço que predomina. A vitalidade conduz a minha própria vontade de viver e de estar e, com ela, a minha própria identidade, a minha própria expressão social e o meu papel na sociedade. Por vezes falta, deixo de a encontrar e fica perdida por entre a minha existência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Hoje sinto-me melhor que ontem, e ontem melhor que anteontem.&lt;/strong&gt; Acordo com mais um sorriso, acordo com mais uma vontade. Acordo capaz. Acordo com mais um pouco de vitalidade. Energia.
Aos poucos vai voltando e a minha expressão vai sendo cada vez mais próxima da minha própria identidade. &lt;em&gt;Uma expressão definida pela sua própria indefinição, mas própria, sincera e real.&lt;/em&gt; Uma expressão que me suporta na minha convivência com a sociedade e o mundo. São ciclos que chegam, mas que também vão. Ciclos apenas. Vivências no cinzento antes de me poder voltar para a cor. Com o sentir melhor vem a coragem de enfrentar a rua, de não sentir que me deva esconder ou que me deva encolher num meu espaço privado. &lt;strong&gt;Com o sentir melhor o espaço público passa a ser um espaço que também é meu, que também me pertence, que também é de meu direito.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;A cada dia, um passo, a cada mais eu e mais verdadeiramente eu. A cada dia mais um passo na conquista da minha própria capacidade de agir perante a minha saúde e os meus ciclos.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;http://www.apa.org/topics/depression/&quot;&gt;http://www.apa.org/topics/depression/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/depressao-e-identidade/&quot;&gt;Depressão e Identidade&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a December 29, 2016.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <title type="html"><![CDATA[Depressão e Fatshaming]]></title>
        <published>2016-11-13T12:45:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
            <uri>http://www.overdestiny.com/</uri>
        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;&lt;em&gt;O meu percurso continua, árduo e ainda confuso.&lt;/em&gt; Uns dias estou melhor, sinto-me alegre, pronta para a acção e para o movimento, tenho outros… outros em que não me apetece levantar da cama. Outros em que me apetece isolar do mundo e esquecer que estou por cá. &lt;em&gt;Outros que fico.&lt;/em&gt; Esta é uma fase complicada, estou a ser dominada pelos momentos depressivos. Pelos momentos de tristeza crónica. Procuro em cada coisa o melhor que consigo, procuro felicidade em bocadinhos para que me sinta melhor ou, pelo menos, um pouco melhor. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Este percurso é necessário para recuperar, é preciso ir tentando aos poucos, saber como agir, como actuar.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;//static.overdestiny.com/images/posts/20161113-fatshaming.jpg&quot; alt=&quot;Fatshaming&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Porém, engordei 8 kg em pouco mais de duas semanas.&lt;/em&gt; Este foi o resultado de ter de mudar a minha medicação permanente e com isso iniciar um novo ciclo de recuperação. Estou a recuperar, aos poucos, mas ter ganho peso tão rápido fez-me diferença. &lt;em&gt;Fez-me diferença porque o mesmo tipo de tratamento já me levou a valores muito mais altos, fez-me diferença porque vivemos numa cultura de &lt;strong&gt;fatshaming&lt;/strong&gt; e isto foi-me difícil de gerir durante alguns anos já passados e agora volto, inevitavelmente ao mesmo registo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Recupero de um problema que me aniquila a auto-estima como uma foice corta feno, e permanentemente lembram-me de um efeito colateral de uma medicação que preciso tomar (&lt;em&gt;o contínuo “estás mais gorda”&lt;/em&gt;). Não quero escolher entre estar bem ou ganhar peso de forma descontrolada, porém &lt;em&gt;não quero entrar numa outra luta pelo qual já sofri, da qual consegui sair&lt;/em&gt;. Apesar de sempre defender positivismo corporal, há dias em que sou vencida pelo exterior e o meu mau estar consome-me, a minha auto-estima dá de si… No entanto, não é só a questão do aumento de peso em si que me afecta, mas sim o facto de que este crescimento corporal aviva, em mim, uma imagem de um corpo que biologicamente é masculino, o qual eu não me identifico. Mais do que me sentir mal por ter ganho peso, a forma lembra-me a minha condição enquanto macho biológico, lembra-me a minha condição que penosamente estou a tentar melhorar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Estas últimas linhas caiem em muitos estereótipos e valores contra os quais eu luto, mas… combater estes valores não significa que por vezes não sinta a dificuldade que me provocam.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; É permanente, é uma luta permanente e a fragilidade por vezes demonstra-se da forma mais simples, mais rudimentar, no comentário banal. O próprio preconceito interior, contra o qual tento lutar constantemente. Pelo menos, ter consciência disso, ajuda-me a dar passos, ajuda-me a pensar numa solução melhor para vencer cada dia, cada momento e encher-me de pequenas vitórias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pelo menos sei que isto tudo me dará mais força, bastante mais força para as dificuldades que vou encontrando. São dificuldades necessárias (ainda que de uma forma geral, injusta) para conseguir lutar, para compreender o mundo e procurar uma sociedade melhor.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/depressao-e-fatshaming/&quot;&gt;Depressão e Fatshaming&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a November 13, 2016.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <id>http://www.overdestiny.com/passos-pequenos-para-um-mundo-maior</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Passos pequenos para um mundo maior]]></title>
        <published>2016-10-15T00:30:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Dani Bento</name>
            <uri>http://www.overdestiny.com/</uri>
        </author>
        <content type="html">&lt;p&gt;Estou a caminhar, muito lentamente, mas estou a caminhar. Passos lentos para um objectivo maior, passos lentos para um caminho longo, uma estrada com bastantes curvas e cruzamentos… decisões. 
Sair de um período depressivo é um trabalho árduo, muito… é um percurso que tenho de fazer, agora.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Fiz mais um acerto de medicação, demora tempo, vai demorar tempo… vai ser necessário ter paciência, vai ser necessário ser resiliente, vai ser necessário aprender e desaprender velhos hábitos.
Fazer ajustes de medicação é sempre um processo lento e complicado, deve ser preciso. Porém, o benefício a médio longo prazo é grande e esta aposta deve ser feita agora, neste momento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O que sinto? tudo e nada. O mundo aparece e desaparece e reaparece constantemente. O mundo vai e vem. As pessoas ficam e vão e voltam e vão novamente. No fundo, não é o mundo que vai e vem, ou as pessoas que ficam e vão… sou eu que ligo e desligo. Sou eu que permaneço num limbo ainda instável, mas menos angustiante que a última vez que escrevi aqui, menos doloroso. Um limbo que ainda me traz a dúvida, a incerteza e o desconforto do dia a dia. Sinto ainda um cansaço enorme, a dificuldade em me levantar, a dificuldade em fazer o básico dos básicos, pensar no meu dia a começar e desejar que ele acabe por estar exausta. É nesta fase que estou, do cansaço, da dificuldade em tomar decisões, da dificuldade em gerir a minha existência. Existiriam várias coisas que gostaria de aqui escrever, mas não o faço, não o faço não por não querer, mas porque não consigo. As palavras perdem-se na cabeça antes de as conseguir escrever, as emoções saltam de um lado para o outro sem que as consiga agarrar. Nada é certo e nada é errado, tudo é certo e tudo é errado. Os sentimentos voam, perdidos… quero agarrá-los. Preciso agarrá-los.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um passo de cada vez, um passo pequeno para um mundo maior. Um passo de cada vez, um passo para um mundo mais estável. Um passo de cada vez, um passo para um mundo mais feliz. Um passo…&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/passos-pequenos-para-um-mundo-maior/&quot;&gt;Passos pequenos para um mundo maior&lt;/a&gt; foi publicado por Dani Bento em &lt;a href=&quot;http://www.overdestiny.com/&quot;&gt;Dani Bento&lt;/a&gt; a October 15, 2016.&lt;/p&gt;
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