E assim começou um novo ano, 2018 - com uma Super Lua. Estou sentada na areia da praia a escrever e a ver as ondas do mar, um período de reflexão pessoal que me é importante, necessária e essencial. O som do mar acalma-me e relaxa-me e é, sem sombra de dúvida, um magnífico mecanismo para pensar em segurança sobre os últimos tempos e, com isso, projectar um novo ciclo. Um novo ciclo que urge e que promete bastantes mudanças.

Os monstros não dormem debaixo da tua cama, mas sim na tua cabeça

No ano de 2016 fui fustigada por uma crise mista, euforia misturada com depressão, teve um efeito pesado na minha estabilidade emocional e cognitiva. Foi um ano doloroso e, no fim, custou-me caro a vários níveis. Entrei num ano de 2017 a querer melhorar e a querer tomar um novo rumo. Porém, após alguns meses de recuperação frágil, a depressão atacou e os últimos meses têm sido vividos com grande dificuldade. Já não me sentia esgotada física e mentalmente há algum tempo. Já não me sentia querer isolar tanto há muito tempo. Reconfortada no meu ninho frágil. Mas um ninho frágil é por si só um problema.

Comecei a trabalhar num local novo, o anterior ficou perdido nas minhas dificuldades e por isso não posso retirar dele grandes virtudes. Porém, querer manter-me capaz de trabalhar tem-me ajudado a ter forças para acordar todos os dias e sair da cama. No entanto, com o aumento do cansaço, até isso me tem sido difícil, muito difícil… Voltei a ser assaltada pelo pânico e pelos comportamentos compulsivos, voltei a ter medo de estar e existir.

Se me sinto triste ou feliz? Não sei, sei que nos últimos meses não tenho conseguido sentir nada de nada, tenho estado um autómato em piloto automático. Apenas isso. Acredito agora começar a melhorar, pelo menos alguns efeitos dos ajustes de medicação e terapia estão a ajudar. No entanto, tenho muitos vícios por quebrar, resíduos do passado e muitas lições para retirar para o futuro. Será um caminho duro de percorrer, mas preciso de o atravessar. Manter-me saudável depende disso.

Talvez o meu maior problema: reconhecer-me, saber quem sou e que vida é a minha. Preciso entender-me enquanto pessoa e enquanto alguém que também tem dificuldades e necessidades. Nos últimos dois meses experimentei um cansaço imenso, eu não ia a casa almoçar, mas sim dormir. O meu corpo queixou-se a todos os momentos, mandando-me parar, apenas isso parar. Eu não o sei ouvir. Não o consigo desligar, não consigo estar para mim, comigo. Isto refletiu-se na minha capacidade de estar com o outro, ou os outros. Quis desaparecer do mundo. Quis sair daqui. Quis fechar os olhos e não ter de os abrir.

Neste ano de 2018 quero fazer diferente. Antes de tudo quero aprender sobre mim, quero aprender os sinais do corpo e da mente. Quero olhar de frente e não para o chão. Quero aprender a interpretar tristeza e felicidade outra vez. Quero aprender a viver de uma forma saudável. Mesmo que isso me custe ficar zangada, irritada ou infeliz. Mas tudo diferente de ficar apática e sem resposta alguma. Talvez isto já seja pedir muito para um próximo ano, mas é importante para mim traçar objectivos, porque até agora está vazia deles. Como se me tivessem sugado tudo o que tinha para dar ou pensar.

Eu preciso acreditar que vou ser capaz, que não vou ser vencida, que aqueles momentos que já vivi não vão voltar porque esses são demasiado cruéis para reviver. Preciso acreditar que, mesmo com altos e baixos, eu tenho feito um caminho, um caminho que me tem preenchido. Que o meu vazio é temporário e que não é definitivo, apenas temporário. Apenas consequência.

Porque sim, sou mais do que isto. Sou.

Dani

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