February 25, 2015

Eu gosto. Eu sinto. Estas são duas frases que emprego frequentemente. Na minha visão são fortes e contêm um significado bastante profundo. Gostar ou sentir é emocional e, como tal, para mim é difícil racionalizar, ainda que possa tentar explicar, ainda que possa tentar exprimir. Sentir é interior a mim, gostar extende o sentir. É algo primário, antevem qualquer espécie de pensamento racional, construído. Ainda que seja básico.

Uma das dúvidas que frequentemente surge em conversas sobre mim relaciona-se com os meus gostos, com as pessoas de quem gosto e de quem posso vir a gostar. Entendo que, se no passado já me era complicado explicar, hoje essa dificuldade aumentou devido ao processo pelo qual estou a passar.

A língua com que nos expressamos dificulta-nos quando, muitas vezes, se tenta colocar significados que podem não ser tangíveis por todos. Torna-se um obstáculo. Assim, quando retratamos emoções e sentimentos, estas definições tornam-se redutoras e simplistas. Permitem-nos comunicar, mas torna-se necessário mais do que isso.

Pansexual

Após um período de adolescência, no qual coloquei uma série de dúvidas em relação ao que sentia pelos outros, tornou-se claro para mim que não conseguia distinguir aquilo que sentia pelas raparigas que me rodeavam e pelos rapazes que tinha próximo. Era claro para mim que, do ponto de vista interior, sentia-me capaz de ter uma paixão com ambos. Sentia-me capaz de perspectivar um futuro, uma relação duradoura. Este sentimento não era coerente com a muitas das pessoas que conhecia. Maioritariamente, as raparigas só sentiam isto em relação a rapazes e/ou vice-versa. Sentir não me era confuso, saber que os outros não conseguiam sentir o que eu sentia é que me era estranho. Arranjei um termo, o mais próximo que consegui. Bissexual. Foi assim que me assumi muitos anos.

Com o tempo, com o conhecimento, com o entendimento do mundo que me rodeia, percebi que este termo era redutor em relação ao que eu sentia, bastante redutor. Passei a usar esta definição apenas para conseguir comunicar com o mundo. É um termo simples e que supõe a generalidade dos casos de acordo com a formação essencial que as pessoas têm.

Descobri, há já algum tempo, o termo pansexualidade. Na sua completude, é menos limitante. No entanto tem uma complicação, a fraca difusão deste conceito conduz a perguntas sem sentido… isto inclui, por exemplo, perguntarem-me se “pansexualidade está relacionada com animais”… o que é falso. A pansexualidade está relacionada com a descontrução do género, do binarismo Homem, Mulher. A minha capacidade de gostar, de sentir e de me apaixonar não se aprisiona na definição clássica do género, mas sim na generalização do termo Pessoa. Eu apaixono-me por pessoas, sinto-me atraída por pessoas. Por pessoas defino todo o conjunto de características que as constituem, desde o género biológico, à identidade de género, à expressão de género, à orientação sexual ou a qualquer outro traço intrínseco. Escrevi (aqui) sobre as novas Teorias Queer, a pansexualidade dá uma resposta simples quando se junta a identidade de género, a orientação e a expressão.

No fundo, e essencial a reter, gosto de Pessoas. Como em qualquer outra questão, existem preferências, existem particularidades que mexem mais comigo do que outras. No entanto, permito-me. Não me sinto reduzida pela paixão que me atinge, pois é essa paixão que sinto viver e é com quem me apaixono que tenciono sentir. As suas partes são importantes para mim na medida em que me transmitem o conjunto, a unidade. Porém, características particulares (como, por exemplo, a aparência ser feminina ou masculina) não me limitam, nem circunscrevem o modo como essa pessoa é potencialmente atraente. Ela é, para mim, ela é.

Eu gosto de pessoas.

Dani

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