Com o crescimento da Internet e com o desenvolvimento computacional, assistimos a uma progressão cada vez maior nos estilos possíveis de comunicar e, como consequência, na produção de Arte (independentemente do conceito subjectivo que cada um associa a esta palavra).

Num artigo anterior (A Socialização da Rede Social) referi aspectos relacionados com a evolução daquilo que hoje em dia é encarado como uma rede social (não física). Hoje queria tentar referir aspectos com que me deparo em relação à socialização no contexto artístico ou, pelo menos o que penso.

Mona Lisa, de Da Vinci Mona Lisa, de Da Vinci

Confesso que existe para mim alguma dificuldade em permanecer actualizado por uma razão clara: tenho uma visão muito ecléctica da arte. Adoro a produção criativa (não que seja bom criador), mas a difusão é tão alta que é difícil acompanhar o ritmo. Posso dizer que participo em várias redes de temas diversos (literatura, pintura, fotografia, entre outros) e estas trazem-me a vantagem de conseguir permanentemente ver trabalhos muito bons. Tento, também, seguir pessoas que começaram a sua forma expressiva há pouco tempo. É interessante conhecer o progresso da expressão e, sem querer, acaba-se indirectamente a conhecer mais sobre o autor.

Tudo poderia ser bom se tudo isto não andasse a um nível cada vez mais rápido. É verdade que os bons artistas se destacam sempre, no passado, presente e futuro, seja pela qualidade, pela mensagem ou pela sua vida. Porém, é com alguma facilidade que recordamos alguns nomes históricos na história da arte (ou mesmo noutras áreas). É também, hoje, possivel entender essas formas devido ao seu contexto histórico e, consequentemente conseguimos saber sobre a época. Só existiam essas pessoas nesse tempo? Claro que não, muitos ficaram para sempre no esquecimento, a arte satisfaz o artista, não quer dizer que o mundo a receba. A arte está para o autor como a felicidade/tristeza está para qualquer um (pessoal, subjectiva). Por outro lado, hoje em dia, mesmo os artistas menos radicais, marcantes têm uma presença forte na comunicação: actualmente está à disposição de todos, ferramentas para publicitar o seu próprio trabalho. Pessoalmente, é como ver a arte passar do autor para o mundo, deixando de pertencer unicamente à própria dor, mas como uma dor partilhada. É bom ou mau? Não sei, mas é diferente. As mudanças são sempre difíceis de avaliar (talvez num futuro mais longínquo).

No fim, para quem gosta de se manter dentro daquilo que se faz pelo mundo, é preciso definir prioridades, interesses prioritários e tentar filtrar algum excesso de informação. Ao contrário de há alguns anos, hoje vemos muitos nomes a circular. Por exemplo, vejo trabalhos soberbos, magníficos, dignos do nome “arte”. Como são muitas pessoas diferentes dificilmente fico com o nome da pessoa, a menos que decida ir pesquisar sobre ela e o  seu contacto. Por outro lado, as redes sociais mistas (onde agregamos toda a espécie de trabalhos) trás-nos uma amostragem global “do que gostamos” e do que há, no entanto, acabamos por nos esquecer de valorizar o trabalho de alguém.

Sim, aumenta-se “a escolha”, mas acredito que se acaba por diminuir o valor. Como já li (ao que concordei), procura-se a informação horizontalmente (muita), mas deixa-se de procurá-la verticalmente (em profundidade e conhecimento).

Independentemente do artista estar para si ou para o mundo, é cada vez mais complicado relacionar estilos próprios de um autor, particularidades para o qual nós dizemos “só pode ter sido aquela pessoa” (vejamos a discussão actual em torno dos quadros de Pollock).

Em suma, pode ser apenas a minha visão do mundo, a minha conclusão de um mundo acelerado ou posso ser eu que não me habituo muito bem a este ritmo artístico!

Daniel Bento

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