Contra a violência, quebra o silêncio.

Este foi o mote da 16ª Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa (ver aqui).

“Chega de silêncios. As pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans são alvo de várias violências. Recusamos o silenciamento da violência e a violência do silêncio.Marchamos, com um apoio cada vez mais alargado e com orgulho na luta que travamos, para denunciar bem alto todas as formas de violência e para as combatermos em conjunto.”

No dia 20 de Junho marcou-se, pelas ruas de Lisboa, mais uma Marcha do Orgulho LGBT - a 16ª a ser realizada. Marcada pela presença do primeiro Block Trans na linha da frente. Fiquei responsável por levar uma das faixas “Aqui está a resistência Trans”. E estivemxs todxs. Foi com orgulho que percorri o trajecto entre o Princípe Real até à Praça do Comércio com aquela faixa. Todxs nós estamxs de parabéns. Este foi um exemplo de como a comunidade T, em Portugal, está a ficar cada vez mais forte e a ganhar visibilidade na população.

16ª Marcha do Orgulho LGBT - 1º Bloco Trans

Não consigo avaliar quantas pessoas integravam o Bloco, mas éramxs muitxs. Foi gratificante estar ao lado de todxs e de cada um.

Só queria, com este texto, deixar os meus parabéns a toda a comunidade T presente. Para o ano vamos ser ainda mais.

Como nota adicional, queria deixar os seguintes reparos. É comum, na comunicação social, chamar-se a Marcha do Orgulho Gay, mas sem retirar crédito à respectiva comunidade G, era tempo de se ser mais inclusivo no modo como se passa a mensagem ao público em geral. O uso de linguagem inclusiva é importante para trazer a visibilidade necessária a cada grupo, a cada identidade e/ou orientação. Este reparo pode parecer preciosismo, mas as construções identitárias de cada pessoa devem ser respeitadas na sua existência. E, no fim, para a população não informada continuará a ser uma Marcha de Orgulho GGGG, de agenda política apenas homossexual masculina.

Em segundo e, não menos importante (dado que surgem sempre comentários em redor deste detalhe) não existe orgulho cis-hetero! Ser socialmente previligiado (pertencer a uma maioria para o qual o sistema está desenhado e construído) não é motivo de orgulho social. Ninguém é perseguido e mal tratado por ser cis-hetero, ninguém é reduzido a aberração por ser cis-hetero, ninguém é considerado doente por ser cis-hetero… ninguém vê constantemente a sua vida estar condicionada pela sociedade e pelo sistema por ser… cis-hetero.

Neste contexto, a palavra orgulho é uma oposição à vergonha (e não um motivo para dizer que se é melhor) vivida pelas pessoas que não se enquadram no sistema maioritário (cis-hetero-normativo).

Dani

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