A experiência de viver em plenitude com a minha identidade é uma procura permanente de estar, de poder e conseguir. A minha leitura pessoal enquanto rapariga trans foi-se complementando com a minha própria definição de que não passa de um ponto para o outro, mas passa por uma linha constituída por muitos pontos. Num registo que ao mundo parece ambíguo, num registo que a mim me parece o mais correcto. Procurar não ser um resumo de mim é um problema complexo, mas também interessante de manipular.

No dia 30 de Março comemorou-se o Dia Mundial da Doença Bipolar (no dia de nascimento de Vicent Van Gogh). Um dia importante para o combate ao estigma de um problema real que, infelizmente, afecta muitas vidas. Um problema que passa invisível, que passa incompreendido por grande maioria das pessoas. Não queria deixar o meu percurso de fora, num momento em que cruzo dois caminhos diferentes, mas que acabam por ter repercussões claras no meu dia a dia. Lidar com um problema de doença mental e com um problema sistémico da sociedade por ser uma pessoa Trans.

Ontem, Sábado, fui ver o filme A Rapariga Dinamarquesa. Fui. Chorei. Não quero escrever sobre o que está bem feito, não quero escrever sobre o que está mal feito no filme. Não quero perder-me no debate sobre a qualidade da história ou a aproximação da realidade. Não porque não tenha isso em consideração, mas sim porque quero escrever sobre como a mensagem me chegou e me tocou... independentemente da película que vi no ecrã, dos actores, da realidade ou da ficção.

Os últimos dias do ano são importantes para reflectir um pouco nos objectivos realizados, nos próximos passos e nos tempos futuros. Deixo uma lista dos artigos que sinto que tiveram mais impacto na minha construção pessoal e diária. São algumas reflexões, pensamentos ou ideias de uma vida do quotidiano. Visões de mim sobre o mundo, verdades minhas dentro de um tempo e de um contexto.

Gosto de acreditar. Mas mais do que gostar, sinto que acreditar me possibilita viver cada dia da melhor maneira que me posso permitir. Acreditar mantém a minha esperança, no mundo e em mim, viva e dá-me significado a cada acontecimento. Este acreditar a que me refiro incide sobre a minha visão do mundo, na crença - talvez ingénua - de que um dia todos nós teremos um espaço de felicidade acessível e real. Acredito, mas vejo um caminho longo... Porém, acredito nele.