Gostava de pensar que a minha identidade se poderia expressar livremente ao longo do tempo. Gostava de pensar que isso seria uma realidade, mas infelizmente não o é. A minha expressão é limitada pela minha saúde, é limitada pela minha capacidade de viver em união comigo própria.

O meu percurso continua, árduo e ainda confuso. Uns dias estou melhor, sinto-me alegre, pronta para a acção e para o movimento, tenho outros… outros em que não me apetece levantar da cama. Outros em que me apetece isolar do mundo e esquecer que estou por cá. Outros que fico. Esta é uma fase complicada, estou a ser dominada pelos momentos depressivos. Pelos momentos de tristeza crónica. Procuro em cada coisa o melhor que consigo, procuro felicidade em bocadinhos para que me sinta melhor ou, pelo menos, um pouco melhor. Este percurso é necessário para recuperar, é preciso ir tentando aos poucos, saber como agir, como actuar.

Estou a caminhar, muito lentamente, mas estou a caminhar. Passos lentos para um objectivo maior, passos lentos para um caminho longo, uma estrada com bastantes curvas e cruzamentos... decisões. Sair de um período depressivo é um trabalho árduo, muito... é um percurso que tenho de fazer, agora.

Este texto não tem um alinhamento, este texto não tem uma linha condutora, este texto não tem um objectivo. É um conjunto de palavras vazio de propósito, sem maquinista e sem qualquer espécie de conexão. É um texto para transpor da mente para as letras, é um texto para transpor da ideia para a concepção, da concepção para o momento. Palavras que uso como a ferramenta mais poderosa que tenho.

Existem muitos momentos que não podemos controlar, existem muitos momentos que não podemos decidir. Existem, também, momentos em que apenas podemos gerir os danos que nos são causados directa ou indirectamente, conscientes ou inconscientes. Momentos em que precisamos de reforçar as nossas energias, o nosso bem estar e reencontrar-nos novamente num mundo que está sem luz e calor. Nesses tempos existe a noção que queremos desistir, que necessitamos parar a realidade e parar tudo o que nos rodeia. São momentos - passados - num mundo frio e escuro.