Construir uma identidade e coexistir com a mesma é um exercício contínuo e exigente. O auto conhecimento é uma peça fundamental para explorarmos todas as nossas potencialidades nas demais aéreas. No entanto, e de uma forma pessoal, entendo que esta evolução só se torna proeminente quando estabelecemos laços, ou não, com a sociedade que nos rodeia. A nossa identidade ganha forma quando é espelhada para o mundo, a menos que fiquemos inteiramente no nosso interior, o que é possível... mas doloroso - sejamos nós quem e de que forma formos.

No dia 20 de Junho marcou-se, pelas ruas de Lisboa, mais uma Marcha do Orgulho LGBT - a 16ª a ser realizada. Marcada pela presença do primeiro Block Trans na linha da frente.

Aprecio escrever, é um velho hábito. Uma rotina de criança. Não escrevo tanto como desejaria e às vezes escrevo num qualquer pedaço de papel que encontro por aqui e por ali. Este gesto é pessoal, muito meu. Não o faço pela qualidade, mas pelo gosto e conforto pessoal.

Não somos fotografias, não somos visões estáticas no tempo, não somos intemporais. Somos parte do tempo, do evoluir, da mudança. Foi com esta premissa que sugeri a palavra tempo durante a minha acção de formação de voluntariado na ILGA este último fim de semana.

Uma vida constrói-se ao longo do tempo, desenvolve-se através de estímulos próprios e de estímulos que nos cercam permanentemente. A existência em sociedade depende dessa construção. Simultaneamente somos seres únicos, de características únicas... limitados apenas por convenções.