Com o fim do ano vêm momentos de reflexão e balanço do que foi o ano que passou. Se o ano passado sentia-me perdida na minha vivência, este ano 2018 revelou-se um ano de descobertas interiores, mudanças de paradigma e relacionamentos saudáveis.

A fonte da batalha jorra em rios de cores de cheiros vários que escorrem montanha acima. Até ao seu cume. Até ao seu cume, estes rios debitam energia como se nada mais valesse a pena. O mundo para de rodar, o sol deixa de nascer e a lua também. Ambos parados, estáticos, no céu, esperando o momento de voltar a andar, de voltar a caminhar pelos seus próprios trilhos. No cume os rios continuam a chegar, ditos, brilhantes, conhecedores. Os rios chegam, como informação que trilha por toda a espacialidade e temporalidade do infinito que se confina num espaço bastante pequeno.

Eram uns dias de sol, um sol branco, forte. Eram uns dias de céu azul, um azul suave, limpo. Eram uns dias em que as árvores pararam em escuta do mar. Uns dias em que mais tempo e menos tempo não interessava, apenas o sabor do ar que ventilava pelos caminhos terrenos. Aprender a saborear cada minuto e cada passagem, cada estado. Aprender a estar num dado ponto. Um ponto que não se reconhece no espacialmente e temporalmente, é só um ponto. Estar, por apenas estar.

Às vezes sinto tristeza, uma tristeza muda e surda. Uma tristeza calada, uma tristeza sem voz nem coro. Uma tristeza. Sinto porque não posso, nem sempre posso e porque muitas vezes não posso. Quero estar e não consigo. Mas a cada momento, uma tristeza mais. Mais uma pessoa, mais um desrespeito, mais uma morte. Sinto-o presente, como meu e teu, mas simultaneamente nosso. Porém, sinto que não consigo lá estar, não chego a tempo... não fui capaz... perdi mais uma vez.

Acordo. As folhas dançam como entes cheios de vida e animação depois de uma longa festa entre frutas e flores. Acordo. É noite ainda, o sol não brilha e a lua está escondida, os animais procuram um lugar para estar, para ficar, para acarinhar! Acordo, ainda não é dia, mas a noite não vai terminar. Fecho os olhos, tento-me recordar de como é estar banhada pelos raios luminosos e brilhantes da nossa estrela mãe. As memórias perdem-se com os barulhos e com a sonoridade da noite… serena, calma, profunda. As memórias estão ali e não querem estar ao mesmo tempo, querem ser vida. Vida essa que se prolongou por anos, séculos, milénios. Vida essa que existe só pelo facto de ser lembrada. Uma memória que cria vida, uma vida que encerra memória. Volto a abrir os olhos e continuo a ver o escuro da noite. A noite permanece.